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Futebol feminino

Magda Eriksson e o Mundial de 2022: “Como homossexual, nunca iria ao Catar. Ou se boicota, ou vão lá sem fazer segredo do que defendem”

As leis do país que vai receber o mundial do próximo ano continuam a levantar questões entre os jogadores. Desta vez, o testemunho vem do lado do futebol feminino, até porque, como Magda Eriksson afirmou, as futebolistas já estão habituadas a ter que defender as suas posições

Rita Meireles

Stephen McCarthy/Getty

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O próximo mundial está mais perto do que parece. O adiamento do Europeu pode ter confundido muita gente, mas a verdade é que o Mundial chega logo no ano seguinte à competição do velho continente, já em 2022. O assunto está cada vez mais presente e há um tema em específico que começa a atrair a atenção de alguns atletas — as leis contra homossexuais que são aplicadas no Catar.

Joshua Cavallo foi um dos que colocou a questão em cima da mesa, imaginando como seria se fosse convocado. Agora foi a vez de Magda Eriksson, jogadora do Chelsea e da seleção sueca, imaginar. E nem hesitou: “Como uma mulher homossexual, nunca quereria ir ao Catar”.

Na sua coluna para o jornal britânico ‘i’, a jogadora tentou colocar-se na posição dos jogadores e imaginar, como mulher homossexual, um cenário em que seriam as mulheres a disputar a competição no país.

“Em última análise, diria que há dois caminhos a seguir — ou se boicota [a competição] completamente ou vão lá sem fazer segredo daquilo que defendem”, escreveu Eriksson.

A jogadora mostrou-se pouco à vontade com aquilo que chama de “negócio do ‘sportswashing’”, usando como exemplos a promoção que o Catar faz ao país através do futebol e a aquisição do Newcastle United por um fundo ligado à família real saudita. Mas, principalmente, olha para a situação como uma mulher homossexual que “nunca escolheria ir de férias para um país como o Qatar, onde a homossexualidade é ilegal”, disse.

Eriksson mantém uma relação com a também jogadora, e colega de equipa, Pernille Harder. Juntas têm dado voz e defendido os direitos da comunidade LGBTQ+. E é isso que a sueca pede agora aos colegas que vão marcar presença no mundial.

“No caso do Qatar, talvez a coisa mais importante que nós futebolistas podemos fazer é falar sobre a situação lá — para bem dos trabalhadores que não têm tido voz”, afirmou, e deixa o apelo a seleções como Inglaterra e Suécia para que falem, pois assim “dessa forma pelo menos algo de bom poderia sair disto”.

A última mensagem é dirigida à entidade que manda no futebol mundial: “A minha outra esperança é que consigamos com isto uma FIFA mais transparente. Como jogadora, pedia-lhes que nos envolvessem mais a nós, futebolistas, como forma de os tornar mais legítimos. E adeptos também”.

Como exemplo, deixa a dica de entregar aos adeptos a decisão em relação aos países que vão receber a competição no futuro, através de uma votação.