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Futebol feminino

Após o incidente que envolveu duas jogadoras do PSG, a equipa quis adiar o duelo com o Lyon. Mas foi obrigada a ir a jogo

No final do jogo que terminou com uma derrota por 6-1 frente ao Lyon, a primeira no campeonato, o treinador da equipa, Didier Ollé-Nicolle, mostrou-se indignado pela recusa da federação francesa em adiar o jogo: "É incrível que as autoridades não tenham visto que o nosso grupo se encontrava em perigo. Há muitas pessoas que foram afetadas"

Rita Meireles

Romain Biard

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No que ao futebol feminino diz respeito, a semana passada ficou marcada pela detenção de Aminata Diallo, jogadora do PSG, devido a suspeitas de ligações com os dois homens que agrediram a companheira de equipa Kheira Hamraoui. A jogadora já saiu em liberdade e a equipa foi obrigada a respeitar o calendário pré-estabelecido pela liga francesa, algo que não agradou à equipa de Paris, ainda a lidar com as ondas de choque do caso que abalou o balneário.

Até ao final da sétima jornada do campeonato, PSG e Lyon tinham um saldo totalmente positivo, somando 21 pontos cada. A jornada seguinte seria a que podia desequilibrar a balança, uma vez que as equipas tinham encontro marcado. Dada a importância do jogo e o momento que o plantel parisiense ultrapassa, o clube pediu o adiamento do jogo para que as jogadoras tivessem tempo para recuperar a nível psicológico, mas a federação francesa não acedeu ao pedido. E o jogo terminou com uma derrota dura por 6-1 para o PSG, com o Lyon a ficar isolado na liderança da liga.

“A equipa esteve durante alguns dias com um [psiquiatra]", disse Didier Ollé-Nicolle, treinador do PSG, após o jogo. “Se pedimos o adiamento do jogo, foi porque tínhamos uma opinião de fora do PSG”, reforçou.

Com o objetivo de desenvolver o futebol feminino em mente, o treinador realça a importância da ética em momentos como este.

“Tendo em conta a ética que o futebol feminino deveria ter, não foi bom termos de jogar. Existem apenas 12 equipas no nosso campeonato, por isso há muitas datas para jogar este jogo. É incrível que as autoridades não tenham visto que o nosso grupo se encontrava em perigo. Há muitas pessoas que foram afetadas. Entendem o ruído que [a situação] causou? Este balneário desapareceu. Não é fácil ouvir tudo sobre isso e tentar encontrar um lugar para o futebol”, afirmou Ollé-Nicolle.

O treinador reconhece que “o primeiro golo foi muito fácil” e que a sua equipa não tinha força para recuperar. Ao intervalo o Lyon tinha uma vantagem de dois golos, o primeiro marcado por Catarina Macario e o segundo, apenas três minutos depois, por Danielle van de Donk. Nos primeiros 15 minutos da segunda parte, Melvine Malard e Damaris Egurrola aumentaram a vantagem em mais dois golos.

Amanda Ilestedt ainda conseguiu diminuir a diferença a favor do PSG, mas os dois golos de Ada Hegerberg ditaram o resultado final.

No final do jogo, Sonia Bompastor, treinadora do Lyon, mostrou-se orgulhosa da sua equipa por ter conseguido manter o foco apenas no lado desportivo.

“O contexto atual em torno do PSG teve impacto além de Paris, todo o futebol feminino foi afetado, eu também a título pessoal", garantiu Bompastor.