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Futebol feminino

As 35 jogadoras de futebol afegãs salvas pela improvável união entre o dono do Leeds e Kim Kardashian

A retirada de mulheres desportistas do Afeganistão continua e desta vez foram 35 jogadoras, acompanhadas das suas famílias, que foram acolhidas no Reino Unido. A parceria, que contou com o clube inglês Leeds e Kim Kardashian, foi um sucesso e as jogadoras garantem que as suas vidas foram salvas

Rita Meireles

HECTOR RETAMAL/Getty

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Desde que o Afeganistão caiu nas mãos dos talibãs que muitos têm tentado sair do país em busca de uma vida melhor. Entre eles estão um grupo de 35 jogadoras das camadas jovens do futebol do Afeganistão e as suas famílias - 130 pessoas no total - que conseguiram chegar ao Paquistão. Estas jogadoras pertencem a um grupo de mulheres que se viram obrigadas a abandonar o país quando começaram a perder a sua liberdade.

Ainda assim, o objetivo não era chegar ao Paquistão e por isso várias personalidades juntaram-se para que as jogadoras pudessem continuar a fazer o que gostam no Reino Unido.

E assim aconteceu a ligação improvável entre Andrea Radrizzani, proprietário do Leeds, a organização sem fins lucrativos Tzedek Association e a personalidade televisiva Kim Kardashian.

O rabi israelita Moshe Margaretten, fundador da associação, entrou em contacto com Kim Kardashian, com quem já tinha trabalhado, para lhe dar a conhecer a situação das meninas afegãs e diz que demorou apenas uma hora para receber uma mensagem de Kardashian a garantir que iria financiar o voo para o Reino Unido.

No novo país, foi o Leeds que se ofereceu para dar todo o apoio necessário às jogadoras.

“Quando recebi um telefonema a pedir ajuda para resgatar a equipa jovem do Afeganistão, nem sabia por onde começar. Hoje elas voaram para o Reino Unido. Tenho orgulho em fazer parte da equipa que tornou isto real. Vamos sonhar que um dia possam jogar no Leeds”, lê-se no perfil do Twitter de Radrizzani.

O proprietário do Leeds realça também, em comunicado, o poder que o futebol pode ter na vida das pessoas: “Isto demonstra o poder do futebol e do desporto em geral como uma força para o bem, e mostra como a comunidade do futebol é capaz de colaborar e se mobilizar para salvar vidas”.

Kardashian também já reagiu, publicando no seu Instagram imagens da chegada das jogadoras ao aeroporto no Reino Unido. E defendeu: “Todas as raparigas têm o direito de ser o que quiserem ser. Elas são corajosas e é trágico que tenham sido obrigadas a deixar o seu país por causa do desejo de jogar um desporto que amam”.

Além disso, Kardashian alertou para o facto de o trabalho não acabar aqui, uma vez que há ainda várias atletas em risco no Afeganistão, relembrando o que aconteceu a Mahjabin Hakimi, jogadora de voleibol assassinada por jogar sem véu.

“Precisamos que mais países abram os braços a estas pessoas que vivem com medo todos os dias, como o Reino Unido fez”, apelou.

Narges e Sabria são duas jogadoras que chegaram esta sexta-feira ao Reino Unido. Em declarações à Sky News não esconderam o alívio e gratidão: “As nossas vidas foram salvas e estamos eternamente gratas a todos".