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Ajax, PSV e Feyenoord querem dar 10% dos lucros na Champions aos restantes clubes holandeses. Em troca, adeus sintéticos

Existe solidariedade no futebol? Na Holanda, parece que sim: os grandes querem distribuir parte das receitas europeias pelos mais pequenos, para dar mais competitividade à prova

Hugo Tavares da Silva

Frenkie de Jong

Nick Potts - PA Images/Getty Images

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O campeão PSV leva oito vitórias em oito jornadas. Em metade delas, goleou Willem (6-1), ADO Den Haag (7-0), VVV-Venlo (4-0) e Utrecht (4-0). O Ajax já despachou AZ Alkmaar (5-0), Groningen (3-0), Vitesse (4-0) e Emmen (5-0). O Feyenoord, mais tímido, só se esticou um bocadinho com NAC Breda (4-2) e Excelsior (3-0).

Isto para dizer o quê? Que estes três clubes, campeões crónicos desde a fundação da Eredivisie (só não venceram seis campeonatos desde 1956/57), lançaram uma proposta para promover a competitividade do campeonato holandês. Ajax, PSV e Feyenoord querem dar 10% dos lucros que recebem da Liga dos Campeões aos restantes clubes da Eredivisie. Em troca, desejam apagar do mapa os relvados sintéticos.

Em cima da mesa está também a redução de 18 para 16 equipas no campeonato e a implementação de play-offs, conta o jornal ADSportwereld, explicando que esta iniciativa pretende revolucionar o futebol holandês até 2021.

Hirving Lozano

Hirving Lozano

Soccrates Images/Getty Images

A ideia é, naturalmente, dotar de mais capacidade (dinheiro para gerir clubes e qualidade no relvado) os restantes 15 clubes da Primeira Divisão do país da Laranja Mecânica - uma seleção que tem sofrido bastante com a falta de talento e ideias, que culminaram na ausência nos últimos Campeonato da Europa e Mundial.

Os tais 10% que pingariam nas contas dos outros 15 clubes, no caso de estarem três equipas holandesas na Liga dos Campeões, dependeriam, pois claro, do desempenho de cada um, mas o incremento de receitas a partir desta temporada naquela competição é animador. Por vitória, os clubes recebem €2,7 milhões, enquanto que, por empate, amealham €900 mil, quase tanto como antes se recebia por vitória. Quem se qualifica para os oitavos, por exemplo, leva ao bolso €9,5 milhões.

Van Persie

Van Persie

VI-Images/Getty Images

Façamos, então, as contas. Apenas Ajax e PSV estão nesta edição da Champions. Os atuais campeões holandeses, treinados por Van Bommel, não têm muito para somar, apenas derrotas com Barcelona (0-4) e Inter (1-2). Já o Ajax de Frenkie de Jong e companhia pode agitar a carteira com alguma vaidade: 3-0 vs. AEK e 1-1 vs. Bayern. Ou seja, uma vitória e um empate que se traduzem em €3,6 milhões.

Um campeonato exigente, sem passadeiras vermelhas para os grandes, para assim serem mais competentes e aptos para a competição no "lago dos tubarões". Parece ser este o pensamento dos principais clubes da terra de Cruyff, Neeskens, Van Basten e Gullit.

Ajax em 1972

Ajax em 1972

VI-Images/Getty Images

Talvez assim fiquem mais perto de sonhar com os triunfos épicos da década de 70: o Ajax venceu três Taças dos Campeões, depois do Feyenoord ter conquistado a sua primeira e única em 1970. O PSV levantou um troféu daqueles em 1988, depois da final contra o Benfica, em Estugarda.

A última conquista, a única no formato Liga dos Campeões, aconteceu em 1995: o Ajax de Van Gaal bateu o AC Milan, com um golo de Patrick Kluivert, aos 85’. Além disso, o Ajax foi finalista derrotado noutras duas ocasiões: contra a Juventus, em 1996, e contra o AC Milan, em 1969.