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Bola de Ouro, maestro, herói incomum e símbolo de um país

Luka Modric consagra temporada impecável com prémio de melhor do mundo, no mesmo dia em que se livra de acusação de falso testemunho

Carol Fontes

FRANCK FIFE

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O croata Luka Modric terminou a hegemonia de 10 anos de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi ao vencer a Bola de Ouro de 2018 e encerrou uma temporada dourada. A consagração de um herói incomum, mestre do jogo coletivo e símbolo do seu país, aconteceu num ano especial. O título na Liga dos Campeões, o inédito vice campeonato da Croácia no Mundial, a conquista do Fifa "The Best" de 2017/2018.

E, no mesmo dia em que foi coroado o melhor jogador do mundo no prémio organizado pela revista “France Football”, o médio do Real Madrid recebeu outra boa notícia: Modric era investigado por falso testemunho num esquema de corrupção do empresário e ex-líder do Dinamo de Zagreb, Zdravko Mamic, mas um tribunal da capital croata desistiu de levar as acusações adiante.

Modric prestou depoimento em julho do ano passado sobre a sua transferência do Dinamo para o Tottenham em 2008. O médio confirmou ter assinado em 2004 um documento em que abria mão de metade do valor das suas transferências, no entanto, uma contradição deixou-o em maus lençóis. Em 2015, o camisola 10 do Real Madrid afirmou ter feito o acordo quando já atuava pelo clube inglês. Mamic foi condenado a seis anos e meio de prisão pelo desvio de 100 milhões de kunas croatas dos cofres do Dinamo em transferências de jogadores.

O caso despertou atenção na Croácia e o recém-eleito melhor do mundo atravessou um longo processo de investigação. O defensor Dejan Lovren também foi alvo do processo. O fim do imbróglio envolvendo Modric aconteceu precisamente na segunda-feira, quando o tribunal desistiu das acusações.

Uma época de sonho

Soccrates Images

O croata de 33 anos conquistou na derradeira temporada o tricampeonato consecutivo na Liga dos Campeões com o Real Madrid e marcou ao todo cinco golos, fazendo 11 assistências. Marcas distantes de outros concorrentes da Bola de Ouro deste ano: Cristiano Ronaldo, com 54 golos, e Mohamed Salah, com 50.

Mas os resultados de Modric no Real e na seleção croata, no entanto, falam por si e levaram-no a alcançar voos mais altos, repetidamente: foi também eleito o melhor jogador do Mundial de Clubes, do Campeonato do Mundo e da Liga dos Campeões, tornando-se num representante ideal para um tipo de jogador - o médio tecnicista e inteligente, como Xavi e Iniesta - que raramente era agraciado com prémios individuais.

Depois de receber a Bola de Ouro, Modric revelou que trocaria todos os prémios individuais pelo título mundial com a Croácia, mas valorizou o caminho inédito percorrido na Rússia. O camisa 10 foi o maestro de uma seleção que fez a sua melhor campanha na história em Mundiais. Pode não ter tido o mesmo brilho de Ronaldo, contudo, é o cérebro da sua equipa e peça-chave na engrenagem e no sistema tático dos clubes pelos quais atua.

E é assim, que, dez anos depois de uma hegemonia total, Luka Modric surge como um dos nomes a fazer frente a CR7 e Messi em prémios e títulos. O português e o argentino dominaram a Bola de Ouro desde 2008, tendo vencido cinco vezes cada um. E há outro dado curioso: a coroação do croata fez do Real Madrid o primeiro clube da história a ter dez jogadores distintos a vencer a Bola de Ouro. Além de CR7 e Modric, Luís Figo, Ronaldo Fenómeno, Michael Owen, Raymond Kopa, Di Stéfano, Fabio Cannavaro, Zidane e Kaká.