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Granada usava câmaras ocultas para espiar jogadores e dirigentes

Os novos donos do clube descobriram alguns dos aparelhos e fizeram uma denúncia às autoridades, que inspecionaram as instalações e encontraram outros dispositivos

Luís M. Faria

Icon Sportswire/Getty

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Jogadores e dirigentes do Granada, bem como árbitros que participavam em jogos nas instalações do clube, foram espiados por câmaras ocultas. Uma investigação encontrou cinco câmaras, escondidas em alarmes de incêndio e detetores volumétricos, que terão sido colocadas por gente ligada à anterior administração do clube que estava interessada em ouvir conversas mantidas em locais supostamente resguardados, como as zonas de acesso aos balneários.

Segundo a empresa chinesa que atualmente detêm o Granada, terá sido o antigo ex-diretor de operações, compras e infraestruturas do clube a instalar as câmaras: "O senhor [Angel] González Segura, em conversas de bar, gabava-se de dizer que tinha instalado uma câmara no escritório do diretor geral e contava conversas privadas com este último", diz a queixa agora apresentada.

Angel Segura fora despedido quando o clube nomeou um novo diretor geral. Fontes próximas dele dizem que as câmaras - cuja existência será mencionada num contrato oficial - tinham unicamente por objetivo impedir os roubos de material. Mas o clube acusa-o de atentado à intimidade das pessoas filmadas.

O Granada mudou de mãos várias vezes ao longo dos últimos anos. Comprado em 2009 por uma família italiana ligada igualmente ao Watford e ao Udinese, foi depois vendido a uma sociedade chinesa, a Desport, numa negociação em que interveio Pere Guardiola, irmão de Pep Guardiola.