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Um pot-pourri futebolístico: City perde, United ganha, Liverpool goleia e Juventus empata com o golo habitual

Em Itália e Inglaterra, o futebol não pára e de todos os jogos disputados até agora, escolhemos uns quantos para que possa estar informado das coisas que se passam lá fora

Diogo Pombo e Pedro Candeias

MARCO BERTORELLO

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Rouba a bola, passa a bola, mas faz algo com ela

É dado adquirido que coincidir no campo com Manchester Cit, é levar com a ganância ditatorial de um regime que reclama a bola e repressivo é quando a perde, pressionando quem a rouba até ao ínfimo fio de relva disponível. É, mais do que qualquer causa de sofrimento, um atestado para obrigar a outra a equipa a tentar arranjar uma forma de lidar com o intricado, frenético e complexo jogo de passe que, se nos deixarmos levar, parece simples e fácil de fazer.

Em tese, isto uma parte do todo que é a equipa de Pep Guardiola: rouba a bola, passa a bola, pressiona logo na bola se a perder, usa a bola para criar e atacar a bola.

Falhando um pedaço, as coisas arriscam-se a ruir ou, pelo menos, a emperrar. Em Leicester, falhou a pressão após as bolas que se perdiam, bem falível na primeira parte, com os jogadores a não o fazerem em conjunto e com intensidade ao mesmo tempo que o adversário mantinha as linhas coladas, a defender. E os passes simples e diretos, a atacar, assentes em Albrigthon e Vardy, resquícios da milagreira equipa campeã que alteraram a ordem normal das coisas: o avançado cruzou e o extremo cabeceou na área para se ver um golo.

Foi a resposta, na primeira parte, ao que Bernardo Silva marcou no espaço vagado pelos centrais que foram ambos atrás do engodo de Aguero. O único movimento criativo e disruptivo da realidade que foi o jogo: o City avassalador na bola, mas pobre de criatividade, incapaz de ser profundo no jogo e de criar oportunidades concretizáveis na área do Leicester focado nas transições e ordenado por James Maddison, o médio inglês com toque e pés de espanhol.

Foram dois padrões de um jogo que ainda teve um terceiro, dentro da prestação de Ricardo Pereira. O lateral português abafou Leroy Sané em quase todos os duelos, anulando o que, coletivamente, o extremo que o City já pouco conseguia explorar - e, a minutos do fim, deu o pontapé furioso na ressaca de um canto que deu o golo da vitória ao Leicester. E o da rara desgraça à equipa de Guardiola, que assim perde seis pontos numa semana, os mesmos que já tem a menos que o Liverpool.

Plumb Images

Ronaldo e o repouso ativo

Há um conceito na preparação física chamado “repouso ativo” que significa parar sem ficar parado. Como um passeiozinho. Ora, Ronaldo preparava-se para um dia destes e ele e o treinador tinham combinado que Atalanta - Juventus era para descansar. Sucede que o jogo estava a correr mal, a Juve pôs-se a jeito depois de inaugurar o marcador, e Allegri teve de pôr o português a aquecer para controlar os danos.

A Vecchia Signora perdia por 2- aos 58’, Ronaldo entrou aos 65’ e aos 78’ marcou, permitindo à equipa manter-se invicta na Serie A. Foi o 12.º golo do CR7 no campeonato italiano que continuará a ser liderado confortavelmente pela Juventus (50 pontos) mesmo que o Nápoles vença o jogo que tem a menos.

Tullio M. Puglia

Ole, Gunnar

Não é preciso muito para perceber que algumas coisas mudaram em Old Trafford com a saída de Mourinho - basta olhar para a ficha de jogo. Ole Gunnar Solskjaer, o baby-face killer, aposta nos jogadores de quem o português duvidava, Paul Pogba à cabeça, mas também Fred e Mata.

Os três foram titulares na vitória segura (3-1) contra o Huddersfield, com Pogba a jogar atrás de Rashford, Matic e Fred no meio-campo, Mata à direita, Lingard à esquerda e, na primeira-parte, o domínio dos reds foi avassalador: 75% de posse de bola e o golo de Matíc num lance de bola parada.

Na segunda-parte, o Manchester United perdeu um pouco o controlo, obrigando Ole a trocar Fred por Herrera para estabilizar a coisa; o Huddersfield estava perigoso e o gigantesco DePoitre (que passou pelo FC Porto de Nuno Espírito Santo), num toque em habilidade (!), obrigou De Gea a uma excelente defesa. Com o decorrer dos minutos, o United voltou a subir de produção e Pogba marcou o seu quarto e quinto golos na Premier League esta época - o último acontecera a 28 de outubro. Zanka reduziu aos 88’, mas o mal já estava feito.

Robbie Jay Barratt - AMA

O lateral direito hifenizado

Deveria ser inventada uma palavra nova, um pouco mais além do que a trivial coincidência, para um um miúdo que, em Londres, joga a lateral direito, é formado no Tottenham e nasceu pós-1990 com Kyle a começar-lhe o nome e Walker a terminá-lo.

Esse foi o ano em que Kyle Walker, o original, nasceu para jogar à direita da defesa, aparecer no Tottenham e, pronto, ter o nome que tem. Em 1997, viria ao mundo Kyle Walker-Peters, titular neste boxing day pelo Tottenham contra o Burnley, que desconhecemos se hifenizou o seu apelido para fugir a esta coincidência, ou não.

Ele já se estreara a titular em Camp Nou, para a Liga dos Campeões, faltava replicar o ato na Premier League, mas não era obrigatório fazê-lo assim, tão brilhantemente: fez três assistências em 19 minutos, na primeira parte, no que acabaria por ser um 5-0 do Tottenham ao Burnley, que continua a crescer triunfalmente de forma este mês.

BEN STANSALL

E os que beneficiam com quase tudo isto

O Liverpool pressionante, intenso, frenético, vertical, caótico de uma forma estranhamente organizada é líder da Premier League e este dia pós-natalício engordou um pouco mais o seu estatuto. O caos estruturado e ordenado por Firmino, Salah e Mané atropelou, por 4-0, o Newcastle que o velho Rafael Benítez tanto se esforça por dar estrutura e ordem de betão.

Os listados a branco e preto foram goleados pela fúria ordeira da equipa que, vendo bem as coisas, vai prosperando à imagem e semelhança do que é Jürgen Klopp, o seu treinador, durante os jogos. A máquina de pressão e contra-pressão do Liverpool já tem meia dúzia de pontos de liderança no campeonato e continua a ser a única equipa que ainda não perdeu, esta época, na Premier League.

Peter Byrne - PA Images

  • Boxing day: a festa na Liga que nunca dorme

    Futebol internacional

    Natal prolongado, e mais um presente para desembrulhar. É a festa dos adeptos, mas também de todo o futebol britânico, e não tem rival nas audiências televisivas por todo o planeta. O costume foi recentemente transplantado para a Serie A na última temporada, e mantém-se vivo numa Itália que continua dominada pela Juventus e por Cristiano Ronaldo, hoje novamente vestido de Pai Natal com mais um golo a evitar a primeira derrota, embora estejamos ainda muito longe de ver serem criadas raízes tão fortes como na Velha Albion e ainda mais de que se torne uma das suas bandeiras. Na Premier, o Liverpool não abranda nem sente cansaço. Esqueçam os cânticos natalícios, ou então habituem-se a Jingle Bells entoados entre riffs arrastados de guitarra eléctrica.