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Han Kwan-son joga no Perugia, mas o salário dele vai parar às mãos de Kim Jong-un

Han Kwang-son comanda a seleção da Coreia do Norte na Taça da Ásia e é “jogador-propaganda” de King Jong-un. Segundo fontes norte-coreanas ouvidas por um jornal. o jogador recebe entre 1.500 e 1.600 euros - o resto vai para o governo da Coreia do Norte

Carol Fontes

Han Kwang-son

Caligari Twitter/Instagram

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Viver sob a sombra de uma ditadura pode limitar a liberdade mesmo a léguas de distância. Han Kwang-son sentiu na pele o peso de ter nascido em um lugar fechado como a República Popular Democrática de Coreia, o nome oficial da Coreia do Norte. O jogador de 20 anos foi obrigado a dar grande parte do salário ao governo de King Jong-un, que encontrou no atleta um rosto para a propaganda do país. Huan recebe entre 1.500 a 1.600 euros e o resto vai directamente para os cofres do país que vive em regime ditatorial desde 1948, liderado pela dinastia Kim e comandado por um partido político único e comunista.

Han, líder da seleção norte-coreana na Taça da da Ásia de 2019 (de 5 de janeiro a 1 de fevereiro), e natural de natural de Pyongyang, símbolo do governo do ditador King Jong-un, contou os detalhes ao jornal espanhol “Marca”.

Tudo começou em 9 de abril de 2017, quando ainda atuava pelo Caligari, da Série A da Itália. Na altura, tinha 17 anos e fora o primeiro norte-coreano a marcar um golo na primeira divisão do futebol italiano; e também o segundo a estrear-se numa das cinco principais ligas europeias, depois de Jong Tae-se, que jogou na temporada de 2011-2012 na Bundesliga. Este ano foi emprestado desde agosto do ano passado pelo Cagliari ao Perugia, equipa da Série B do Campeonato Italiano, e chamou a atenção fazer um “hat-trick” contra o Virtus Entella. Contas feitas, em sete jogos, marcou seis golos e caiu nas graças dos adeptos. King Jong-un não deixou escapar a oportunidade de usar a imagem de seu "rapaz prodígio", contudo, mantém os freios apertados quanto ao assédio em cima do jogador da Coreia do Norte. Um canal de televisão quis entrevistá-lo, mas foi logo bloqueada por Pyongyang.

“A chamada veio do governo norte-coreano e bloquearam a aparição na televisão. Devido ao aumento na tensão com os Estados Unidos, é proibido aparecer na televisão sob pena de repatriação”, contou na época o presidente do Perugia, Massimiliano Santopadre, ao "La Stampa".