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Mourinho: “As pessoas costumavam dizer que se aprende mais na derrota. Se calhar há alguma verdade nisso...”

Em entrevista ao "The Telegraph", o treinador português deixa algumas pistas sobre o que falhou em Manchester e revela o que quer sentir no próximo clube: “Alegria, energia e conhecimento”

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GLYN KIRK/Getty Images

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O próximo clube de José Mourinho não deverá ser um colosso em que é obrigatório ganhar um troféu todos os domingos. Em entrevista ao “The Telegraph”, o treinador português revelou algumas pistas sobre o fracasso em Old Trafford, refletiu sobre o jejum de troféus e deixou a receita para o futuro.

Há ideias e palavras que, quando o vento está contra, acabam sempre por voltar para atormentar o autor. Em tempos idos, Mourinho referiu-se a Arsène Wenger como o “especialista em fracassos”. Agora, o português que leva 25 troféus conquistados em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha está a experimentar um sabor diferente.

“As pessoas costumavam dizer que se aprende mais na derrota. Se calhar há alguma verdade nisso”, diz ao “The Telegraph”. “Eu sinto que o meu habitat natural é a vitória. É a primeira vez que não ganho qualquer troféu em 18 meses. Alguns ficam sem ganhar 18 anos. Eu não ganho há 18 meses. Agora tenho tempo para pensar, refletir, tentar perceber tudo e tentar estar mais preparado para o próximo [clube] que vier.” O português adiantou que já recusou uma proposta de trabalho.

Anton Novoderezhkin/Getty Images

Mourinho, despedido pelo Manchester United no dia 18 de dezembro, tem apostado no comentário televisivo, nomeadamente com a Taça Asiática, no canal BeIN Sports. Mais recentemente, tem estado na DAZN, comentando a realidade sul-americana e ainda a Taça da Liga de Inglaterra, entre Chelsea e Manchester City. Pelo meio, deu o "pontapé de saída" num jogo de hóquei no gelo, na Rússia, entre Avangard Omsk e SKA Saint Petersburg.

Na próxima aventura, diz, terá de estar cheio de “alegria, energia e conhecimento”. E até coloca, aparentemente, os tubarões de lado. É que Mourinho diz que prefere um clube que não esteja preparado para ganhar troféus "no imediato", mas que tenha a ambição de os conquistar.

Para tal, para fazer crescer algo e viver em harmonia coletiva, Mourinho diz ao jornal britânico que não quer “líderes negativos” por perto nem “conflitos internos”, deixando uma pista do que aconteceu em Old Trafford. “Eu quero trabalhar com empatia estrutural.”

Ou seja: "Quero trabalhar com pessoas que eu gosto. Pessoas com quem quero trabalhar, com quem sou feliz e partilho as mesmas ideias. Não quero estar numa constante contradição entre o que eu penso e o que os outros pensam".