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A falta que faz um tipo que marque golos. Conhecem algum, merengues?

Tal como na quarta-feira, para a Taça do Rei, o Real Madrid voltou a perder em casa com o Barcelona, agora para a Liga espanhola. Rakitic marcou o único golo do clássico que deixou os catalães ainda mais líderes, agora com mais 12 pontos do que os merengues, que até criaram oportunidades, mas nunca chegaram ao golo. Saudades de alguém, amigos?

Mariana Cabral

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Costuma dizer-se que se há algo que não mente, esse algo são os números. Por isso, vamos então a eles: esta época, o Real Madrid vai com 80 golos marcados em 41 jogos, o que dá uma média de 1.95 por jogo.

Se 80 não é um mau número, per se, torna-se curto quando se olha para os números das épocas anteriores: 152, 170, 147, 156, 166, 153, 174, 148 e 119, quase sempre com 50 ou 60 jogos disputados, o que dá, quase sempre, uma média de mais de dois golos, até quase de três.

Ora, olhando para o Real Madrid desta época e para o Real Madrid das nove épocas anteriores, o que mudou? Sergio Ramos explicou-o assim, no final do clássico desta noite: "Criámos oportunidades, mas quando te falta o golo, não ganhas".

Eu explico-o assim: Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

Era bom, não era, Sergio?

Leonardo Prieto

Por estes dias, o único fora de série no el clásico está do outro lado da barricada merengue (e hoje até levou um 'chega para lá' com o cotovelo de Ramos): chama-se Lionel Messi e manda em todo o jogo do Barcelona. Não, o Barcelona já não é aquele Barcelona que encantava românticos e até pragmáticos da mesmo modo, aquele Barcelona que, exageros à parte - como tão bem explicou Jorge Valdano no "El País" - criou um fosso estilístico tão grande em Espanha que obrigou os rivais a dizer: bom, nós gostamos é de ganhar, não precisamos desse tal de "futebol bonito".

A questão é que de ganhar gostamos todos, pobres e ricos, altos e baixos, gordos e magros, homens e mulheres. Daí que, na quarta-feira passada, quando o Barcelona ganhou no Bernabéu, por 3-0, para a Taça do Rei, tenha logo havido alguém a dizer: bom, mas o Real Madrid jogou melhor do que a Barcelona. Pooooois é. É que isto das teorias tanto dá para um lado como para o outro, como melhor nos/lhes convém.

Serve isto para dizer que, esta noite, no Bernabéu, talvez até tenha havido mais Real Madrid do que Barcelona, como na Taça, mas a verdade é que os catalães - hoje com mais "controlo" no jogo do que na Taça, fruto da entrada de Artur no meio-campo -, mais uma vez, venceram, desequilibrando a balança dos 241 encontros entre rivais, que estava com 95 vitórias para cada lado e 51 empates.

Num jogo que na 1ª parte mais parecia um treino entre conhecidos, tal era a liberdade dentro de campo - nem Ernesto Valverde nem Santiago Solari primam particularmente pela organização coletiva das respetivas equipas, preferindo conceder um alto grau de independência aos seus jogadores, que têm tanta qualidade individual que vão resolvendo os problemas que lhes vão aparecendo associando-se com os colegas mais próximos -, foi o Barcelona a ameaçar primeiro, por Lionel Messi, claro.

Em frente a Courtois, o argentino atirou ao lado, mas, aos 25', Rakitic não fez o mesmo. Aproveitando (mais) uma saída extemporânea de Sergio Ramos da linha defensiva do Real (é curioso quão mal posicionado consegue estar, por vezes, quem é considerado um dos melhores defesas do mundo), Rakitic atacou o espaço livre e picou a bola, com uma enorme dose de classe, por cima do guarda-redes belga do Real Madrid, naquele que até foi o primeiro remate do Barcelona à baliza adversária.

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Com Messi a controlar as operações no ataque e Artur a pautar o ritmo no meio-campo, ainda havia Piqué a comandar de forma soberba a defesa e a desviar os ataques merengues, que passavam quase sempre pelos pés do miúdo Vinícius Júnior, até porque Gareth Bale, do outro lado do campo, à direita, passou quase sempre ao lado do jogo - um hábito do galês nas seis épocas que já leva em Madrid, a bem da verdade.

Vinícius, Modric, Benzema e até Reguilón (Marcelo continua a ser suplente) estiveram perto de marcar, mas o golo nunca surgiu, nem com as entradas em campo de Valverde, Asensio e Isco.

No final, aliás, até foi o Barcelona a estar mais perto de marcar, quando Coutinho apareceu na cara de Courtois, mas o belga impediu o golo.

Porque golo só houve um, para o Barcelona. E golos há poucos, para o Real Madrid.

Agora, bom, agora lembrem-se daquele tipo que marcou 450 golos em 438 jogos em nove épocas em Madrid. Só se dá valor quando não se tem, não é?