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"De repente estás sozinho num apartamento em Swansea, a ver a chuva a cair". Os altos e baixos de Renato Sanches, na primeira pessoa

Médio do Bayern Munique assina a rubrica "Remember the Name" no site The Players' Tribune, onde fala de forma cândida de uma carreira marcada por glória, mas também por expectativas defraudadas nos últimos anos. Mas ele quer voltar a ser o miúdo que foi visto como uma das maiores promessas do futebol mundial

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Renato Sanches está no Bayern de Munique desde o início da época 2016/17

Thananuwat Srirasant/Getty

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Depois de João Félix, agora foi a vez de Renato Sanches ser o protagonista da rubrica "Remember the Name", do site The Players' Tribune. E num texto franco, o médio do Bayern Munique fala daquilo que têm sido os últimos anos, desde a glória no Benfica, da vitória do Euro, às dificuldades que encontrou em Munique, onde tarda em impor-se como titular.

Renato começa por recordar o dia em que marcou o seu primeiro golo pelo Benfica, o dia em que percebeu que a sua vida tinha mudado.

"Lembro-me do momento em que percebi que a minha vida tinha mudado - para sempre. Estava num restaurante com os meus amigos, a 4 de dezembro de 2015. Jogava pelo Benfica e tínhamos jogado frente à Académica nesse dia. OK, não foi apenas um jogo normal. Marquei um belo golo e foi o primeiro golo que marcava pela equipa sénior. Foi um bonito momento, que resultava de muito trabalho árduo, meu e da minha família. Mas no relvado… parecia apenas um golo normal", explica o jogador.

Nesse dia, Renato deixou definitivamente de ser um desconhecido. Na mesa ao lado, vários adeptos do Benfica não queriam acreditar quando perceberam que estavam ao lado do herói do momento. "Estavam loucos. Como se eu fosse o Messi ou assim. 'RENATO! RENATO!!!!!! Precisamos de uma foto! Por favor! Podemos tirar uma foto? REEEEENATO!'. Olhei para os meus amigos e pensei 'Bem, agora vai ser sempre assim. Vamos ter de começar a pedir comida em casa'".

A festejar com Pizzi e Jonas um golo do Benfica contra o Arouca

A festejar com Pizzi e Jonas um golo do Benfica contra o Arouca

getty images

Contudo, a passagem para o Bayern Munique, depois de fazer parte da Seleção Nacional que venceu o Euro'2016, não correu como o esperado e Renato admite que não estava preparado para o que ia encontrar na Alemanha.

"Pensava que o Europeu me tinha preparado para a pressão que ia sentir na Bundesliga. Eu pensava que estava preparado, mas descobri rapidamente que não estava. O futebol na Alemanha é tão diferente. Em Portugal eu corria e corria porque a minha técnica ajudava a não me cansar tanto. Na Alemanha podes correr, mas o jogo é tão rápido que tem de haver coordenação, de outra forma é fácil ser apanhado mal posicionado", diz, reconhecendo a dificuldade que foi lidar com a opinião dos adeptos do Bayern, que o consideravam uma desilusão e um flor.

A oportunidade perdida em Swansea e os novos sonhos

Depois de um primeiro ano abaixo das expectativas em Munique, Renato Sanches foi emprestado ao Swansea para relançar a carreira. Mas as lesões tornaram aqueles seis meses num inferno para o jogador.

"Fui para o Swansea em 2017 porque precisava de jogar, precisava de minutos. Precisava que na Seleção Nacional vissem que eu estava a jogar muito, numa liga forte, para ser chamado para o Mundial. Mas no País de Gales… tudo correu mal. Quando estava a ajustar-me à minha nova equipa tive uma série de lesões estranhas, todas na mesma perna. Nunca tinha tido problemas com lesões até aí e, de repente, fiquei de fora durante meses, sozinho, sentado num apartamento em Swansea, a ver a chuva que caía todos os dias. Ninguém te prepara para isto".

Os seis meses em Swansea foram pejados de lesões

Os seis meses em Swansea foram pejados de lesões

Clive Mason/Getty

De regresso ao Bayern esta temporada, Renato admite que refreou as suas ambições e apenas quer voltar à forma que fez dele uma das jovem promessas do futebol mundial.

"Tinha grandes sonhos depois de ganharmos o Euro. Queria ganhar a Bola de Ouro, ganhar medalhas e troféus. Ainda tenho essas ambições, mas agora, quando olho para o meu futuro, elas vêem depois dos meus novos sonhos: quero estar em forma, quero jogar mais minutos, quero ouvir as pessoas em Munique a dizer 'este é o Renato que nós comprámos, é por isto que nós o contratámos'", revela, num texto em que frisa que continua a ter o Benfica no coração.

"Sinto que levo sempre uma parte do Benfica comigo, para todo o lado que vou", diz.