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Futebol internacional

79% de posse, 54 remates, 15 tiros à baliza – e perder por 1-0 aos 92'

A Copa Sudamericana ofereceu um dos jogos mais improváveis dos últimos tempos entre Nacional Potosí e Zulia. Guarda-redes internacional de 40 anos e postes salvaram o dia

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AIZAR RALDES/GETTY IMAGES

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O futebol é isto. A bola é redonda. São 11 contra 11. É preciso levantar a cabeça. Podíamos ficar nisto o dia todo, mas o que é certo é que o futebol é mesmo como cantam os Clã: “mera dor, mero gozo, sorvedouro caprichoso”.

Esta madrugada jogou-se a primeira mão da 1.ª fase da Copa Sudamericana e aconteceu um dos maiores enigmas já vistos no futebol. Até fez lembrar aquele Celtic-Barcelona de novembro de 2012, para a Liga dos Campeões, em que os catalães perderam o jogo com 89% de posse de bola, 955 passes completos (vs. 166) e 23 remates (vs.5). Os escoceses ganharam por 2-1. “Mera dor, mero gozo, sorvedouro caprichoso.”

AIZAR RALDES/GETTY IMAGES

Os bolivianos do Nacional Potosí receberam os venezuelanos do Zulia. Foi um daqueles jogos em que a bola, amestrada, já sabia o seu caminho. Era sempre na mesma direção. Mas os jogadores que têm ao peito um símbolo igual ao do River Plate não davam com as redes. Por nada deste mundo. Ao todo, foram 54 remates. Cinquenta e quatro.

O defesa direito e um dos centrais, Gómez e Maldonado, não acertaram um passe. Foi uma noite complicada. “O Nacional Potosí encurralou o Zulia durante grande parte do jogo, mas os visitantes colocaram uma fechadura que impediu a entrada dos avançados locais”, pode ler-se na crónica do jogo no jornal boliviano “La Razón”.

“Jogou bem e melhor o líder do torneio nacional”, escreve o periódico “Cambio”, “mas faltou-lhe definir. Insistiu muito nos cruzamentos e também teve azar. O Zulia posicionou-se bem na defesa. Marcou com atenção. De vez em quando, metiam-se todos na área, fechando todos os espaços. O Zulia também foi muito perigoso nos contra-ataques. A grande atuação do guarda-redes Leonardo Morales e os postes salvaram o elenco venezuelano.” Leo Morales, de 40 anos, é internacional pela seleção daquele país e até foi à Copa América em 2011.

Quando os homens da casa já levavam a angústia como segunda pele, derrotados pelo desacerto próprio, olharam nos olhos o sádico futebol que os enamora: num lance de dois contra dois, Bryan Moya meteu a bola na baliza do Nacional aos 92’.

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Conclusão: 54 remates (vs. 6), 79% de posse de bola e 13 cantos (vs. zero) depois, os visitantes venceram este jogo improvável.

A segunda mão joga-se a 16 de abril.