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Kokorin e Mamáev condenados a ano e meio por agressão na cadeia de Butyrka, antiga prisão para dissidentes

Justiça russa condenou os futebolistas internacionais russos por vandalismo e agressão em duas lutas ocorridas em outubro de 2018

Lusa

Dmitry Serebryakov

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A justiça russa condenou hoje os futebolistas internacionais russos Alexandr Kokorin e Pável Mamáev a um ano e meio de prisão por vandalismo e agressão em duas lutas ocorridas em outubro de 2018.

"O juiz demonstrou que para ele todos são iguais perante a lei, sejam famosos futebolistas, atores, funcionários ou cidadãos comuns. É assim que deve ser", congratulou-se o chefe do conselho de direitos humanos do Kremlin, Mijaíl Fedótov.

O juiz satisfez assim as pretensões do ministério público, considerando provada a culpabilidade dos atletas, que estão em prisão preventiva há quase sete meses.

Kokorin, do Zenit, vai ter de cumprir ainda sete meses e meio de prisão, enquanto Mamáev, do Krasnodar, seis e meio, uma vez que foi condenado a menos um mês do que o seu companheiro.

De acordo com a recente prática penal na Rússia, cada dia de prisão preventiva conta como dia e meio, pelo que ambos podem sair em liberdade em cerca de três meses.

Kokorin e Mamáev foram condenados por agredir dois funcionários públicos num café e, em plena rua, o motorista de uma apresentadora de televisão pública russa.

Os advogados de defesa alegaram que os arguidos apenas responderam violentamente aos supostos insultos e provocações dos agredidos.

O treinador de equipas jovens Alexandr Protasovitski foi condenado a 17 meses e o irmão mais novo de Kokorin, Kiril, foi absolvido, embora tenha de cumprir 11 meses de serviço comunitário.

O médio Pavel Mamaev e o avançado Alexander Kokorin são dois dos mais reconhecidos futebolistas da Rússia, apesar de não terem jogado no Mundial2018, que o país organizou.

Mamaev conta 15 chamadas à seleção entre 2010 e 2016, mas foi expulso, após serem divulgadas imagens suas e de Alexander Kokorin a festejar num bar do Mónaco, após a eliminação do Europeu2016, em França, que provocaram a indignação pública na Rússia.

Ambos estão detidos na cadeia de Butyrka que foi construída no século XXVIII sob ordem dos czares russos, que a usaram para deter rebeldes cossacos e supostos revolucionários socialistas. Na era soviética, a prisão albergou alguns dos mais renomados dissidentes.