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O outro filho de Roma vai embora

Daniele de Rossi vai abandonar a Roma no final desta época, 18 anos depois de começar a jogar pela equipa principal. O que representou abafa os poucos troféus que conquistou

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Chris Brunskill/Fantasista

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Neste futebol contemporâneo é difícil colocar alguém perto de um futebolista grandioso como Totti quando falamos de Roma. Francesco tinha tudo: um toque de bola que sossegava os mais céticos e desassossegava os mais apaixonados, a liderança, o carisma, os golos mágicos, a camisola 10 e o cabelo. Era o imperador, o capitão, o oitavo rei de Roma, o gladiador… Enfim, era tudo para a cidade.

Mas houve um rapaz que levou a alma da Roma antiga para o relvado, como se a gloriosa eternidade pudesse ser transferível, e honrou o legado de Totti. Daniele de Rossi, outro filho de Roma, começou a jogar na equipa principal do clube em 2001, com Fabio Capello. Tinha 18 anos e concorria por uma vaga no meio-campo com homens como Tommasi, Marcos Assunção, Emerson e Fuser. Jogou pouco, algo que aconteceria na época seguinte, com Pep Guardiola, Olivier Dacourt e o talentoso Aquilani a complicarem-lhe ainda mais as contas.

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Mas um homem que ruge assim daria sempre certo.

A redenção do talento de Rossi aconteceu finalmente em 2003/04, com muitos jogos nas pernas e a certeza de que era uma certeza para aquele clube. Se o currículo na Roma é mais ou menos humilde, com apenas dois troféus da Coppa e outro da Supercoppa, foi a nível internacional que viveu as maiores alegrias. Em 2004, foi campeão da Europa de sub-21, depois de eliminar Portugal nas meias-finais, e ainda ganhou o bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas; dois anos depois, foi campeão do mundo (vs. França), na Alemanha, graças aos penáltis (entrou na segunda parte). Alguns anos depois, já com muito estatuto na squadra azzurra, foi finalista vencido no Euro-2012.

Esta terça-feira, aos 35 anos, ficou a saber-se que vai abandonar o clube da única camisola que vestiu. Ou seja, 18 anos, 615 jogos e 63 golos depois, a Roma deixará de ter Daniele de Rossi. Mas o internacional italiano não vai pendurar as botas.

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