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“Trancava-me dias no quarto, fingia que ia treinar para os filhos não perguntarem porque não estava na TV, ainda tomo antidepressivos”

Emmanuel Eboue, ex-internacional da Costa do Marfim e ex-jogador do Arsenal, é o último desportista a confessar lutar contra a depressão que o levou a questionar várias vezes o sentido da vida

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Stuart MacFarlane

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A depressão é uma doença com a qual cada vez mais desportistas revelam já ter tido um encontro. E nunca deixa boas memórias. Em entrevista à televisão francesa, Emmanuel Eboue, ex-internacional da Costa do Marfim e ex-jogador do Arsenal, foi o último a confessar os efeitos nefastos da doença.

Segundo Eboue, 36 anos, a sua depressão despontou quando, em 2016, foi banido dos relvados por um ano pela FIFA, por se recusar a pagar um valor que devia a um ex-agente. Como consequência de não poder jogar, o jogador foi dispensado pelo Sunderland.

Sem clube, com as finanças tremidas, pois tinha acabado de se divorciar, Eboue caiu numa espiral negra e sofreu mesmo de pensamentos suicidas. “Às vezes, trancava-me no meu quarto por três ou quatro dias. Perguntava-me: ‘O que resta?’”, contou.

“Ainda hoje tomo antidepressivos para me ajudar por ainda tenho um longo caminho pela frente. Mas aqui estou, na esperança que outros possam aprender alguma coisa da minha experiência”, revelou o jogador.

A doença mental acabou por afastar Eboue dos relvados definitivamente. “Estar fora do futebol durante um ano partiu-me o coração”, contou.

Para piorar, o ex-jogador do Arsenal estava tão envergonhado da sua situação e momento que atravessava, que começou mesmo a mentir aos filhos. Saía de casa durante o dia e dizia que ia treinar. “Os meus filhos perguntavam-me sempre quando é que ia regressar aos relvados, por isso quando saía de casa de manhã fingia que ia trabalhar”, disse.

“Sem os meus filhos saberem, eu andava pela rua e regressava a casa quando eles já estavam na cama. Não queria que me perguntassem porque é que não me viam na televisão”, explicou.