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Miguel Poiares Maduro e a detenção de Platini: “Infelizmente, não estranho que casos como este continuem a surgir”

Enquanto fez parte do comité de governação da FIFA, uma das primeiras pessoas que Poiares Maduro afastou da entidade foi alguém “envolvido com a compra de votos para a realização do Mundial de 2022 no Qatar”. Michel Platini foi detido esta terça-feira devido a suspeitas de corrupção

Fábio Monteiro

Miguel Poiares Maduro: colocado off side ao fim de ano

Foto Luís Barra

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“Infelizmente, não estranho que casos como este [de Platini] continuem a surgir”, diz Miguel Poiares Maduro, ex-responsável do Comité da FIFA, em reação à notícia da detenção de Michel Platini, antigo presidente da UEFA, por suspeitas de corrupção na organização do Campeonato do Mundo de 2022, no Qatar.

Apesar das informações em torno do caso de Platini ainda serem escassas, Poiares Maduro confessa não estar surpreendido com possíveis ilegalidades na organização do Mundial de 2022.

Enquanto fez parte do comité de governação da FIFA, uma das primeiras pessoas que Maduro afastou da entidade foi “alguém envolvido com a compra de votos para a realização do Mundial de 2022 no Qatar”. “Levámos com uma reação brutal. Ia haver um congresso em Goa e a confederação asiática cancelou-o”, conta.

“Neste momento, Michel Platini beneficia da presunção de inocência”. A multiplicação de “casos como este”, porém, traça uma má imagem para o Governo do futebol internacional, frisa Poiares Maduro.

“Dois dias depois do presidente Infantino ter sido reeleito [a cinco de junho deste ano ano], um vice-presidente da FIFA [Ahmad Ahmad] foi também detido em Paris. Há um problema de cultura no futebol, sistemático. Costumo dizer: podemos apanhar algumas maçãs podres, mas sem mudarmos as árvores que as produzem, nada será feito”, lembra.