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Ultras do Inter avisam Lukaku que sons de macaco “não são racismo” [reticências]

Depois do avançado belga ter sofrido um episódio de abuso racial no estádio do Cagliari, os adeptos do Inter vieram em defesa... dos adeptos rivais. “Em Itália temos as nossas ‘formas’ de ‘ajudar as nossas equipas’ e tentar colocar os nossos adversários nervosos, não por racismo, mas para os irritar”, escreveu a Curva Nord numa carta aberta ao ex-jogador do Manchester United

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Claudio Villa - Inter/Getty

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Transferido do Manchester United para o Inter neste defeso, os primeiros dias de Romelu Lukaku em Itália ficaram desde logo manchados por lamentáveis incidentes racistas em Cagliari, onde a equipa de Milão jogou na última jornada. Os adeptos locais, numa atitude que não é nova e já atingiu outros jogadores negros, entoaram cânticos racistas e imitaram sons de macaco, impelindo o belga a pedir a intervenção das federações e a atenção das empresas que regulam as redes sociais para evitar novos abusos.

E quando o futebol, os adeptos e o seu clube se deveria unir na sua defesa, eis que a Curva Nord, grupo de ultras do Inter, publicou na sua página de Facebook uma carta aberta ao jogador tentando, pasmemo-nos, desculpar a atitude dos adeptos do Cagliari.

Afinal, de acordo com a Curva Nord, os sons de macaco mais não são do que uma forma de “irritar os adversários” e não racismo, problema que, aliás, a Curva Nord diz não existir em Itália.

“Lamentamos muito que tenhas pensado que o que aconteceu em Cagliari foi racista. Tens de entender que Itália não é como muitos outros países do norte da Europa, onde o racismo é um problema sério. Percebemos que pode ter parecido racista, mas não foi”, pode ler-se na carta, onde estão outras pérolas como esta: “Em Itália temos as nossas ‘formas’ de ‘ajudar as nossas equipas’ e tentar colocar os nossos adversários nervosos, não por racismo, mas para os irritar”.

A Curva Nord justifica ainda que é “uma organização multiétnica” e que sempre deu “as boas-vindas a todos” os jogadores. “No entanto, sempre usámos os nossos métodos com jogadores das outras equipas no passado e o mais provável é continuarmos a fazê-lo”

“Não somos racistas, tal como os adeptos do Cagliari não são”, sublinham.

“Por favor considera que esta atitude é uma forma de respeito, pelo facto deles terem medo de ti, pelos golos que possas marcar e não porque te odeiem ou por racismo”, continuam.

A cereja no topo do bolo da carta aberta é o momento em que Lukaku passa de vítima a culpado: “Quando tu dizes que o racismo é um problema que se tem de combater em Itália, só ajudas a que haja mais repressão aos adeptos de futebol, incluindo a nós próprios, e estás a contribuir para um problema que não existe”.