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Há noites em que a bola é apenas uma figura geométrica

Aqui se faz um curto ensaio sobre as virtudes do losango que a Juventus de Sarri apresentou diante do Inter de Conte. Acabou 2-1, para a equipa de Ronaldo, que não marcou, mas chutou à barra e teve um golo bem invalidado por fora de jogo de Dybala

Pedro Candeias

Higuaín festeja o 2-1 que enterrou o Inter e pôs a Juventus na liderança da Serie A

Daniele Badolato - Juventus FC

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O Inter - Juventus era o grande jogo do dia na Europa, porque frente a frente estavam o segundo e primeiro classificados da Serie A e porque Antonio Conte iria encontrar a sua antiga equipa pela qual conquistou primeiros títulos como treinador - três ligas italianas e duas supertaças de Itália.

Ora, o reencontro tinha duas nuances: Agnelli, o patrão da Juventus, sugeriu que Conte quis regressar à Vecchia Signora, ago que "a sociedade e a família vetaram" logo à partida; e Agnelli, por outro lado, defendeu o seu antigo treinador quando um grupo de adeptos fez uma petição para retirar a estrela (um símbolo que homenageia grandes jogadores do clube) de Conte do estádio. Conte reagiu assim: "Agnelli nunca se deveria ter pronunciado sobre isto, sobre este assunto que envolve ignorantes".

O clássico, portanto, entre duas coletividades que não morrem de amores uma pela outra, estava lançado. Que viesse o futebol. E, aí, a Juve de Sarri foi inquestionavelmente superior, ainda que não completamente dominadora. O segredo?

Provavelmente o losango que apresentou, com Pjanic numa posição tipo-Pirlo, Matuidi e Khedira em pressão alta e incansável, e o combativo e talentoso Bernardeschi atrás de Dybala e Ronaldo. Com isto, e com a saída do lesionado Sensi, o futebolista mais criativo do Inter, a Juventus superiorizou-se em vários momentos do encontro: marcou primeiro, por Dybala (minuto 4), deixou-se empatar por Lautaro Martínez (minuto 18, de penálti, após braço na bola de De Ligt) - e, aos 34', Sensi saiu.

Foi então que a Juventus apertou o ritmo, com o jogo interior proporcionado pela figura geométrica e pela inteligência de Pjanic, aproximando-se várias vezes do 2-1 que tardou em chegar - Ronaldo viu um golo ser-lhe bem anulado por fora de jogo de Dybala.

Na segunda-parte, o ascendente da Juventus prosseguiu até ao exato momento em que Sarri decidiu arriscar, retirando Bernardeschi e Khedira e pondo Higuaín e Betancur. Isto traduziu-se na descida de Dybala para o vértice ofensivo do losango e na ida de Betancur para o lado direito; a Juventus ficou mais frágil e menos intensa e o Inter, a espaços, aproveitou este desnível para procurar chegar-se à baliza contrária com os movimentos poderosos de Lukaku ou a imprevisibilidade egoísta de Lautaro.

Sarri não perdeu muito tempo, talvez apenas o necessário para despachar um cigarro que já não fuma, emendou a mão e fez entrar o musculado Emre Can para o posto de Dybala. Betancur subiu para 10, atrás de Higuaín e Ronaldo, e a Juventus equilibrou-se e voltou a calibrar o seu jogo: ao minuto 80', numa triangulação que envolveu Pjaníc, Ronaldo e Higuaín, o argentino fez o 2-1 que enterrou as esperanças do Inter de continuar invicto na Serie A. E assim a Juventus chegou ao lugar que, por defeito, é seu de há muito, muito tempo a esta parte: a liderança.