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Extinguiu-se o fogo de Bastian Schweinsteiger

O extremou que virou médio e, em 2014, comandou a Alemanha campeã mundial, anunciou que vai deixar de jogar. Bastian Schweinsteiger diz adeus aos 35 anos e com uma Liga dos Campeões, uma Liga Europa e oito Bundesligas (e três golos marcados a Portugal em fases finais de provas de seleções)

Diogo Pombo

Adam Pretty/Getty

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O cabelo grisalho, a marcha lenta, a bola perto dos pés, ele a rodopiar sobre ela, virando-se muito e correndo pouco, passando-a e recebendo-a, sempre a fazê-la mexer para ele não o ter que fazer.

Bastian Schweinsteiger é assim há uns bons anos, desde que Louis Van Gaal olhou para o extremo rematador, passador e de bola no pé e julgou ver um médio centro para o Bayern de Munique onde as alas eram para os rápidos, dribladores e espetaculares Frank Ribéry e Arjen Robben.

Não o alemão, habitante de um corpo com menos rapidez de movimentos e de um estilo mais pausado, sem explosões ou arranques, a corresponder a uma cabeça que pensava, logo qe construía e organizava, em vez de apenas finalizar ou cruzar a bola.

Nasceu Schweinsteiger, o médio que se encarregou de decidir por onde andaria a bola e esteve na base do Bayern de Jupp Heynckes que arrebatou a Liga dos Campeões, em 2013, impondo-se pela multiplicação de passes em Camp Nou (meias-finais) e ganhando ao Borussia Dortmund (final) com o golo da redenção de Robben em finais.

Julgou-se que dominaria, mais ainda, quando Pep Guardiola chegou a Munique para esticar os limites de uma equipa que parecia ter tocado no teto das vitórias. Tudo ganharam na Alemanha, mas ficaram-se pelas meias-finais da prova europeia que dá um troféu orelhudo ao vencedor.

A influência de Bastian decresceu proporcionalmente ao aumento dos problemas que tinha num tornozelo e escolheu levar o início do declínio para Manchester, onde Louis Van Gaal o seduziu e os novos companheiros de equipa não demoraram a chamar-lhe Mr. Calm, pelo quão pouco tremia com companhia da bola.

A. Pretty

Lá encontrou José Mourinho, com quem o convívio não beneficiou por aí além o alemão, cada vez mais marginal na equipa e com aparições esporádicas em ano e meio com o treinador português. Já nos 30 e a ter que decidir sobre o provável último clube da carreira, Schweinsteiger optou pelo Chicago Fire.

O fogo da carreira foi-se extinguido durante três épocas na MLS, onde o futebol dá mais espaços a quem tem a bola e as equipas se agridem com muitos ataques e contra-ataques rápidos. Onde quem tem mais calma, pausa e tempo é precioso. Onde o futebol não é o primeiro, nem o segundo desporto que mais interessa e vários jogadores que muito fizeram por ele, na Europa, escolhem acabar de forma mais pacata.

Bastian Schweinsteiger termina aos 35 anos, depois de tudo conquistar no Bayern, trepar ao topo do futebol com a Alemanha, decair até nada vencer nos EUA e de tudo começar aos 15 ou 16, quando esteve quase para optar pelo ski em vez do futebol.

O quinto jogador da seleção campeã mundial de 2014 a retirar-se (Weindenfeller, Lahm, Mertesacker e Klose). Ainda como extremo, marcou três golos em três jogos pela seleção germânica contra Portugal - dois no Mundial de 2006 e outro no Europeu de 2008. "Dizer adeus como um jogador ativo é um pouco nostálgico", confessou, num parágrafo publicado nas redes sociais.

A nostalgia também estará em quem o viu jogar, no seu auge.