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“Gostava que houvesse algum bilionário a apoiar-me, mas é mesmo o meu dinheiro”: Ronaldo e o clube que comprou

Presença notada na Web Summit, o “Fenómeno” falou sobre o Valladolid, que comprou, e a ambição de querer comprar um emblema português

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Claudio Villa

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Ronaldo Nazário, conhecido como “o fenómeno” nos seus tempos de jogador, revelou, esta terça-feira, que mantém a compra de um clube português nos seus planos, depois de se ter tornado, em setembro de 2018, o acionista maioritário dos espanhóis do Valladolid.

"Voltei há dois anos a Madrid e estava à procura de uma equipa para comprar. Procurei por todo o lado. Em Inglaterra, a segunda divisão era ainda muito cara para mim. Procurei por Portugal e ainda estou à procura. Depois, estava a fazer comentários para a televisão no Mundial de 2018 e o meu advogado ligou-me com uma oferta do Valladolid", contou.

Campeão do mundo pelo Brasil, Ronaldo recebeu, esta terça-feira, na cimeira tecnológica Web Summit, em Lisboa, o prémio de Inovação no Desporto, entregue pelo ministro Pedro Siza Vieira. Ronaldo considerou ser "incrível" receber o galardão, após pouco mais de um ano nas funções de presidente de um clube.

"A equipa estava na segunda divisão. O Valladolid era exatamente o que procurava, uma equipa com uma grande história, perto de Madrid, 90 anos de vida e com a dimensão certa. Decidi abraçar o projeto e estou feliz, mas aos fins de semana sofro muito e nunca sofri assim como jogador. Estamos a sair-nos bem, temos de melhorar muito, mas estou bastante feliz com o clube", declarou.

Diz o jornal “Record” que a antiga estrela de Barcelona, Inter e Real Madrid, investiu cerca de 30 milhões de euros para comprar 51 por cento do capital do emblema espanhol. Ronaldo confessou ainda que é um investimento pessoal e não tem o apoio de qualquer (outro) milionário.

"Gostava que houvesse algum bilionário a apoiar-me, mas é mesmo o meu dinheiro", admitiu, entre risos, Ronaldo congratulou-se com o cumprimento de algumas metas: "Conseguimos vender 22 mil bilhetes de época, o que foi um recorde para o clube, fizemos algumas mudanças no estádio - as primeiras desde a construção em 1982 - e melhorámos as infraestruturas de treino".

Enquanto atleta, brilhou pelos gigantes espanhóis FC Barcelona e Real Madrid. O antigo internacional brasileiro fez questão de dizer que "nunca" seria treinador, pela dificuldade de gerir um plantel com 25 jogadores, mas que atualmente tem outras “dores de cabeça” enquanto líder de um clube.

"Jogámos há uma semana com o FC Barcelona e perdemos por 5-1, foi terrível. O Messi fez um grande jogo. Vamos tentar lutar com os maiores, mas temos o segundo orçamento mais baixo da liga, com cerca de 32 milhões de euros, é muito difícil. Estamos à procura de obter mais receitas. O dinheiro não é tudo, mas pesa muito", concluiu, ao encerrar o dia de palestras na área do desporto na Web Summit.