Tribuna Expresso

Perfil

Futebol internacional

Luis Enrique: "Robert Moreno foi desleal. Para mim a ambição desmedida não é uma virtude, é um grande defeito"

Depois de uma pausa devido à doença da filha Xana, que acabaria por falecer em agosto, Luis Enrique está de regresso à seleção espanhola, num processo muito polémico, marcado pela saída atribulada de Robert Moreno, que o havia substituído no cargo. E, na conferência de imprensa que oficializou o seu regresso, Luis Enrique não foi meigo para o antigo braço direito, acusando-o de falta de lealdade e recusando ter sido ele a abordar a federação espanhola para pedir para voltar à seleção

Tribuna Expresso

GABRIEL BOUYS/Getty

Partilhar

Luis Enrique foi esta quarta-feira de novo apresentado como selecionador nacional espanhol, depois da polémica que levou à saída de Robert Moreno, seu antigo adjunto que o substituiu no comando técnico de Espanha quando o ex-treinador do Barcelona deixou o cargo em junho, devido à doença da filha Xana, que acabaria por falecer em agosto.

E, na hora do regresso, Luis Enrique não poupou palavras para criticar o seu antecessor, explicando as razões pelas quais não o chamou para a sua nova equipa técnica.

“Sou uma pessoa que foge de polémicas, mas vejo-me obrigado a isto porque esta polémica foi criada por outra pessoa que trabalhou comigo”, começou por explicar o técnico, que revelou que os desencontros com Moreno começaram logo a 12 de setembro.

“O único responsável do facto de Robert Moreno não estar no meu staff sou eu, não é [o presidente] Rubiales ou [o diretor-desportivo] Molina”, referiu. “Liga-me, tenho uma reunião com ele em minha casa e percebo que quer fazer o Europeu e só depois, se eu quisesse, voltaria a ser o meu número dois. Percebo que tenha ambição, que é a oportunidade da sua vida, trabalhou muito, mas para mim isso é desleal, eu nunca o faria e não quero ninguém assim no meu staff. Para mim a ambição desmedida não é uma virtude, é um grande defeito”, atirou Luis Enrique.

Nessa mesma reunião, Luis Enrique disse a Robert Moreno que já não o via como seu braço direito e que ainda não sabia quando ia voltar, mas que tinha “vontade de trabalhar”.

“Rapidamente percebi que queria recuperar a vida e mostrar à minha família que a vida continua”, explicou o selecionador, que garantiu que nunca contactou a federação espanhola para pedir o regresso, foi a própria federação que lhe ligou em outubro, começando aí o início do processo.

“Do lado profissional não tenho nada a criticar a Robert Moreno. Está preparado. Do lado pessoal não tinha dúvidas até que as palavras começaram a dizer uma coisa e os atos outra. Não sou o bom deste filme, mas também não sou o mau da fita”, frisou ainda.

O técnico disse ainda na conferência de apresentação que está “muito bem animicamente” e feliz por voltar a uma casa que conhece bem: “Agora é continuar na mesma linha, com muita vontade. A minha família apoia-me a 100%. É curioso que sabemos que vamos perder entes queridos ao longo da nossa vida, mas não há uma fórmula matemática sobre como reage cada um. Sinto-me muito orgulhoso pela força da minha família”.

Jesus Casas será o número dois de Luis Enrique numa equipa técnica que vê também a chegada de Aitor Unzué.