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Presidente da UEFA: “Não sou fã do VAR. Se tiveres um nariz comprido hoje em dia, estás fora-de-jogo”

Aleksander Ceferin, o por norma discreto presidente da UEFA, admitiu "não ser fã" da tecnologia do vídeoárbitro. O líder da entidade que manda no futebol europeu deu uma entrevista ao "Daily Mirror", na qual foi bastante crítico e lamentou que "já não há volta a dar", mas que vai propor alterações às regras do VAR

Diogo Pombo

Harold Cunningham - UEFA

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Aleksander Ceferin é um advogado esloveno, de aparência pacata, que foi presidente da federação de futebol do seu país até setembro de 2016, quando o votaram para ser o novo presidente da UEFA, em plena altura de polémicas, contestação, descredibilização das instituições e suspeitas de corrupção. Ceferin deu alguma pacatez e estabilidade ao cargo, sendo pouco ouvido a opinar e visto, aqui e ali, em estádios durante jogos - até esta quarta-feira, em que resolveu criticar o VAR.

O dirigente confessou, em entrevista ao "Daily Mirror", que "não pode dizer que gosta da repercussão" que as siglas que resumem a tecnologia do vídeoárbitro têm causado. Admite ser "cético" desde o início e explicou-o, até, com uma pitada de humor: "Se tiveres um nariz longo, hoje em dia estás sempre em fora-de-jogo”.

O presidente da UEFA argumenta que "as linhas são sempre subjetivas, porque são feitas pelos VAR", revelando que, na próxima reunião entre árbitros promovida pela entidade, serão discutidas potenciais alterações, como "uma tolerância de dez a 20 centímetros", que depois serão propostas ao IFAB (International Football Association Board).

Ceferin criticou o facto de "os fiscais de linha já nem se darem ao trabalho de levantar a bandeira", apenas "esperam, esperam, esperam". O esloveno, de 52 anos, referiu que "os jogadores já nem celebram os golos" nos tempos que correm - "agora, esperam primeiro pelo VAR".

Também argumentou contra os critérios sobre o que é, ou não, falta por tocar com a mão na bola. "Ninguém consegue explicar. O árbitro não é um psiquiatra para saber se o fizeste, ou não, de propósito. Há duas semanas, tivemos uma reunião de treinadores na UEFA, em Nyon. Estavam lá o Jürgen Klopp, o Pep Guardiola, o Max Allegri, o Carlo Ancelotti e o Zinedine Zidane. O nosso chefe da arbitragem, Roberto Rossetti, mostrou um vídeo de mão na bola. Metade da sala disse que era, a outra metade disse que não. Portanto, o quão clara é a regra?", contou, na edição impressa do "Daily Mirror".

Aleksander Ceferin tentou contextualizar as suas opiniões, dizendo que o primeiro jogo que viu, em criança, foi a final do Mundial de 1978, que a argentina do cabeludo Mario Kempes ganhou, em Buenos Aires, contra a Holanda, para também lamentar uma situação atual: "Os erros dos árbitros são como os erros dos jogadores. Discutimos os erros da arbitragem durante uma semana. Existem painéis para isso. Agora, discute-se uma tecnologia. Ninguém sabe quem está a decidir".

Mesmo tanto criticando, o presidente da UEFA resignou-se às evidências, dizendo que "temos que ter o VAR no Europeu porque todas as equipas vão refilar quando houver um erro contra elas".