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Federação escocesa pondera proibir crianças de cabecear bolas de futebol

Estabelecida uma ligação preocupante entre a demência e os ex-jogadores de futebol, a Federação Escocesa quer prevenir futuros males, proibindo que as crianças com menos de 12 anos cabeceiem bolas

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Portland Press Herald

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"Se Deus quisesse que jogássemos futebol nas nuvens, teria posto relva lá em cima". A frase do já falecido Brian Clough parece agora ganhar novo sentido, perante o que se começa a perceber ser a ligação entre o futebol e o desenvolvimento de demência. Por isso mesmo, a Federação Escocesa está a ponderar banir os cabeceamentos no futebol juvenil, revelou esta quinta-feira a BBC.

De acordo com um estudo recentemente divulgado no "The New England Journal of Medicine", em que também esteve envolvido John MacLean, o médico da Federação Escocesa, o número de mortes relacionadas com doenças neurodegenerativas é mais alto em ex-jogadores de futebol, assim como a prevalência de demência.

A Federação escocesa pondera, assim, proibir que os(as) futebolistas com menos de 12 anos cabeceiem bolas, em treino, por prevenção, algo que também já acontece nos EUA. Na Europa, contudo, a Escócia seria o primeiro país a impor uma proibição semelhante.

"Temos de tomar algumas decisões sensatas e pragmáticas neste momento e isso tem a ver com o tentar reduzir o número de vezes em que os jovens cabeceiam a bola - e mesmo nos treinos costuma haver mais cabeceamentos do que nos jogos", explicou John MacLean à BBC, assumindo que ainda não está diretamente provado que sejam os cabeceamentos a prejudicar os jogadores, mas, por uma questão de "bom senso", o médico diz que não se pode "estar a à espera de provas claras" sobre o assunto.