Tribuna Expresso

Perfil

Futebol internacional

Adrien Silva: "Por mais que trabalhasse nos treinos, não me davam um oportunidade como deve ser no Leicester"

Não é de agora, tão pouco é tímido a afirmá-lo e voltou a fazê-lo: Adrien Silva não foi muito à bola com a experiência no Leicester City, para onde se transferiu em 2017 e esteve seis meses sem jogar por a sua inscrição ter chegado à liga inglesa 14 segundos para lá da hora limite. Em entrevista à revista "Four Four Two", o médio, agora emprestado ao AS Monaco, explicou o que correu mal

Diogo Pombo

Michael Regan/Getty

Partilhar

Catorze segundos nem um terço de um minuto são e insignificantes parecem ser quanto maior for a dosagem de tempo na qual existam. Esses 14 segundos dentro de seis meses seriam quase inócuos, sem peso relativo, mas, na vida de Adrien Silva, 14 segundos foram responsáveis por o deixarem sem jogar futebol durante meio ano, em Inglaterra.

É sabido, rebatido e conhecido como o médio saiu do Sporting para o Leicester, no verão de 2017, e a transferência maldita se tornou porque o negócio arrastou-se, a papelada tratou-se em cima do joelho e a inscrição do português chegou à liga inglesa uns 14 segundos depois da hora limite. Não foi aceite.

Adrien Silva ficou seis meses sem jogar na equipa principal do Leicester, já disse e repetiu que a experiência foi má, afetou-lhe uma carreira que parecia ascendente, levou-o a procurar e encontrar uma solução no AS Monaco - onde está emprestado até ao final desta época - e a, novamente, falar sobre este imbróglio em entrevista à "Four Four Two".

O banho-maria em que ficou no Leicester

“Estava à procura de ter mais minutos. Parecia impossível no Leicester - por mais que trabalhasse nos treinos, não me davam uma oportunidade como deve ser. Nesse momento, apareceu o AS Monaco e, entre as alternativas que tinha, era a melhor. Quando estás com a família tens que considerar tudo e o Mónaco é um lugar muito bom para eles viverem”.

“O meu maior objetivo é regressar à seleção nacional antes do Euro 2020. Quanto mais jogar, mais hipóteses tenho de o conseguir. Não é diferente do passado - sempre foi muito desafiante. Desde que faça o meu melhor, e acredito que o esteja a fazer, fico de consciência tranquila.”

Os treinos solitários

“Acho que foi um dos maiores desafios que enfrentei na minha carreira. Lembro-me que, depois de um início tão difícil, parecia que estava a correr atrás de um comboio que já tinha partido da estação há muito tempo. Eventualmente, tive que dar a volta e compensar o tempo perdido. Pode não ter sido suficiente para mudar a minha história, mas ainda guardo memórias especiais desses tempos. Consegui ganhar o lugar na seleção e ir ao Mundial.”

“Passei por coisas para as quais não estava preparado, fisica e mentalmente. Tive que treinar sozinho. O meu irmão, que é preparador físico, ajudou-me e tive o apoio de vários amigos. Durante algum tempo estive, basicamente, sozinho - não podia treinar com a equipa. Quando fui autorizado, costumava treinar à tarde também, quase não tinha tempo livre.”

“Tentei sempre evitar pensar em demasia. Em vez de inventar uma desculpa, estava só focado em regressar ao campo. Mas, olhando agora, a forma como as coisas aconteceram certamente não ajudou. Enquanto estive sem poder jogar houve duas trocas de treinador.”

A adaptação foi fácil?

“Não nos adaptámos bem (...) principalmente pelo estilo de vida que a minha família tinha em Lisboa. Leicester era completamente diferente. Era muito frio para os meus filhos e não havia muita coisa para fazer. Em Lisboa tínhamos quase tudo.”