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Muitas lesões, planeamento errado, outra coisa qualquer? Barça pede exceção para contratar um jogador fora de horas

O Barcelona pediu permissão à Federação Espanhola de Futebol para, excecionalmente, poder contratar e inscrever um jogador fora do período oficial de compras. Não é que o clube esteja com uma razia de lesões por aí além, mas tem Luis Suárez e Ousmane Dembélé lesionados e reparou, em fevereiro, que talvez não tenha atacantes suficientes para competir pela La Liga. O Barça arrancou a época apenas com 18 jogadores de residência fixa na equipa principal

Diogo Pombo

Lionel Messi preocupado com Ousmane Dembélé, a 27 de novembro, quando o francês se lesionou e jogou pela última vez esta época.

Maja Hitij/Getty

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Cada clube tem os seus prazos, rege-se como lhe der na real gana e planeia a época da forma que achar mais conveniente. Se, no caso, for a temporada sequinte, é tido como normal que se comece a pensar nela uns valentes meses antes, enquanto a anterior ainda se joga, porque há treinador, jogadores, contratos, competições, calendários e variadas outras coisas a ter em conta.

Como as lesões, para as quais não há premonição, mas, caso a sorte ande à bulha com o azar e perca, podem aparecer em peso.

O melhor remédio é a prevenção, acautelando eventuais agruras tendo números no plantel e jogadores que possam, no aperto, preencher buracos que não sejam, necessariamente, os seus prediletos. Planeando a atual época, em termos de plantel, o Barcelona decidiu arrancar com 18 jogadores com residência fixa na primeira equipa, que constam na lista do site oficial do clube.

A eles juntam-se, desde o verão, rapazes mais novos, menos experientes e com pouca rodagem de primeira divisão, como Iñaki Pena, Ansu Fati, Riqui Puig, Álex Collado ou Carles Pérez, os suficientes para a conta ficar em 23, número mais comum de se ver numa equipa que vive para ganhar o campeonato, a taça, a Liga dos Campeões e demais troféus.

Ora, dos cinco citados, o primeiro é guarda-redes e joga, normalmente, pela equipa B; o segundo tornou-se um membro habitual do plantel principal e até dos titulares; o terceiro para lá caminha; o quarto é convocado e apenas se estreou este mês; e o quinto fez 12 jogos até ao natal, antes de ser emprestado à AS Roma.

Carles Pérez é um atacante, como o são Álex Collado, apenas ainda um jogador de plantel, e Ansu Fati, já um habitual titular por capacidade e mérito - mas, também, por força das circunstâncias.

Porque o avançado Luis Suárez lesionou-se no joelho a meio de janeiro e talvez não jogue mais esta temporada. E o extremo Ousmane Dembélé, o viciado em jogar Playstation com os amigos e dono, sempre disseram os rumores, dos não mais adequados hábitos alimentares, voltou a magoar-se na semana passada. O francês não joga desde o fim de novembro. Dias antes, soube-se da mazela que deixará Hiroki Abe, atacante japonês da equipa B, cinco meses sem jogar.

Dembélé teve que ser operado à mesma maleita - rotura do tendão do bíceps femoral da perna direita -, esta terça-feira e a recuperação, informou o Barça, deverá durar seis meses, mais um do que o mínimo exigível pelos regulamentos para que, excecionalmente, se autorize a mexer no saco das compras antes de tempo: os catalães terão pedido à federação e à liga espanholas que autorizem a inscrição de um novo jogador, já fora do período de transferências de inverno, diz a imprensa do país.

De repente, o Barcelona tem 'só' - o advérbio é quase insultuoso - Lionel Messi, Antoine Griezmann e Ansu Fati para jogarem mais perto da baliza dos outros, cingindo o lote aos, em teoria, mais aptos para arcarem com a responsabilidade.

Mas, como tudo, há regras. O Barcelona teve que enviar o pedido dentro do mês seguinte à lesão do futebolista em causa, com prova do período expectável de ausência “certificado por um tribunal médico”, lê-se nos regulamentos. Terá igualmente que comprovar que a mazela em causa, de Dembélé, ocorreu fora do período normal de inscrição de jogadores, e esperar que a federação ou a liga o aprovem em 72 horas.

Se for aceite, o clube terá 15 dias para contratar um jogador e inscrevê-lo, não podendo ser alguém que necessite de um certificado de transferência internacional. Ou seja, o Barcelona terá que encontrar uma solução em Espanha e, quando a descobrir, o futebolista em causa ficará impedido de assinar e jogar por qualquer outro clube durante cinco meses.

Correndo tudo como o Barça estará a fazer figas para que corra, diz-se que os alvos serão Willian José, da Real Sociedad, Ángel, do Getafe, ou Lucas Pérez, do Alavés. Um brasileiro e dois espanhóis, todos avançados, uma escolha a ser feita para ajudar nas 14 partidas que restam no campeonato, pois o clube nunca poderá inscrever mais um jogador na Liga dos Campeões.

A questão será mesmo a exceção ser oficialmente feita, já que o problema, pelos vistos, não será o dinheiro: a La Liga divulgou o teto salarial a que cada clube está sujeito após o fecho do mercado de inverno e o do Barcelona ficou nos 656,4 milhões de euros, cerca de menos 15 milhões em relação ao arranque da época.