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Se sair da Juventus, uma coisa é certa: Maurizio Sarri não arranjará emprego nos correios italianos

Antes do AC Milan-Juventus desta quinta-feira (19h45, SportTV1), para as meias-finais da Taça de Itália, Maurizio Sarri quis aliviar os rumores sobre o seu despedimento e gracejou com a pressão - ou falta dela - de quem trabalha nos correios. Só que a Poste Italiane não achou graça nenhuma e respondeu à letra

Mariana Cabral

MARCO BERTORELLO

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Há dias, ou até mesmo semanas, assim: independentemente do que façamos, com as melhores intenções em mente, o universo é tudo menos misericordioso connosco. Há quem lhe chame Lei de Murphy, há quem lhe chame azar e há quem lhe chame, bom, meter a pata na poça - como aconteceu com Maurizio Sarri.

Por muito que o treinador italiano, cujos 61 anos já lhe dão idade para ter juízo, diga e faça, parece que sai tudo ao lado. Nos últimos três jogos para a Serie A, a Juve perdeu dois - contra Nápoles (ah, a ironia) e Hellas Verona, ambos por 1-2 - e, num clube que é campeão há oito épocas consecutivas, isso é considerado um drama, particularmente porque a equipa já foi alcançada na liderança pelo Inter, que também já tem 54 pontos - e a Lazio vem logo atrás, com 53 - em 23 jornadas.

Ora, na conferência de imprensa do jogo contra o AC Milan, para as meias-finais da Taça, Sarri foi questionado sobre os problemas da equipa e sobre os rumores que já colocam Pep Guardiola e - outra vez - Massimiliano Allegri como alternativas para a próxima época, uma vez que o treinador já está a ser contestado em Turim. A resposta, que pretendia ser ligeira e chistosa, foi a seguinte: "Se não quisesse estar sob pressão, teria um emprego nos correios. Este trabalho é assim: anda tudo normalmente e depois de uma derrota há sempre avaliações exteriores. Estamos em fevereiro e a lutar em todas as frentes, por isso perfeitamente em linha com os objetivos iniciais".

Entre a graçola e a tirada mais séria, o assunto podia ter ficado temporariamente arrumado (pelo menos até ao jogo desta noite)... caso os correios locais não tivessem ficado ofendidos. "A Poste Italiane convida o senhor Sarri a dedicar alguns minutos do seu precioso tempo para se informar que a Poste é a maior empresa do país, escolhida por jovens como uma das mais atrativas para trabalhar, reconhecida como uma das 500 melhores do mundo por providenciar qualidade de vida no trabalho e que está em terceiro lugar, a nível mundial, das empresas italianas com melhor imagem e reputação", lê-se, numa publicação da companhia no Twitter.

"Contrariamente ao que diz Sarri, há pressão nos correios. Temos de responder aos cidadãos, às empresas e à administração pública. Esperamo-lo para que veja pessoalmente o nosso trabalho diário num dos nossos 15 mil centros operativos".

Alessandro Sabattini

Cartas de amor à parte, Maurizio Sarri continua como treinador da Juventus e não há nada como uma boa vitória para afastar problemas. Cristiano Ronaldo, obviamente, poderá ajudar, já que o avançado português de 35 anos marcou em todos os jogos em que participou em 2020: 11 golos, 7 jogos. "Falei com ele e disse-me que se sente bem. Descansar para a Champions? Se ele se sentir cansado, dir-me-á e avaliaremos jogo a jogo", explicou o treinador.

Sobre uma possível parceria entre Ronaldo e Messi na frente de ataque, já que o argentino pode estar de saída do Barcelona, Sarri nem quis equacionar fosse o que fosse: "Não gosto de falar de jogadores de outras equipas. Neste momento ele é do Barcelona e não me parece justo responder." De facto, às vezes, mais vale estar calado.