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Quem quer jogar com Ronaldinho na prisão? 🤙

Villa Real, Pira Guasu, Halcones, Chacarita, Sport Espada, Sport Pitufo e Negro Cumbiero são as equipas que estão interessadas em contratar o reformado craque brasileiro. A questão está no que têm em comum: o facto de todas jogarem no campeonato de futsal da prisão onde Ronaldinho e o irmão se encontram detidos, no Paraguai, enquanto aguardam julgamento por terem tentado entrar no país com um passaporte falso

Diogo Pombo

NORBERTO DUARTE/Getty

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Ronaldo de Assis Moreira era a felicidade em futebolista, senão interior, pelo menos exterior, porque o homem tinha um sorriso rasgado e imperturbável, estivesse a ser o alvo de todas as rasteiras, patadas, encontrões ou faltas menos terroristas contra o seu bem físico, ou a esquivar-se de tudo isso com fintas, que não eram, apenas, um desviar dos outros, mas um executar do malabarismo mirabolante que, no momento, lhe viesse à cabeça.

Tornou-se apropriado conhecê-lo por Ronaldinho. O português é língua que guarda carinho nos diminutivos e, com os anos, especialmente os que dedicou ao Barcelona, o brasileiro eternizou-se como o querido do futebol, o génio capaz de driblar na relva, à frente de milhões e nas barbas de tanta coisa em jogo, como se no recreio estivesse, a brincar com os amigos. E sorria antes, durante e no fim, sempre.

Com Ronaldinho, uma bola de futebol comportava-se que nem bola presa ao tornozelo de um recluso, mas sendo uma extensão do corpo, obediente e feita de algodão, ao invés de um peso de ferro para o limitar, como há séculos se fazia e não se faz hoje, quando o brasileiro está numa prisão a 31 quilómetros de Assunção, no Paraguai, detido preventivamente por uma falcatrua.

Mais uma, porque a tentativa de entrar no país com um passaporte falso, ao lado do irmão, Roberto de Assis Moreira, juntou-se ao crime ambiental que cometeu no Brasil e às suspeitas de fuga aos impostos e de promover esquemas em pirâmide com uma empresa de criptomoedas. Aos 39 anos e retirado desde 2015, o brasileiro está falido, com peso a mais e preso, confinado a um espaço onde se recordam do que ele foi.

A entrada da prisão onde Ronaldinho e o irmão se encontram detidos, preventivamente, perto de Assunção, capital do Paraguai.

A entrada da prisão onde Ronaldinho e o irmão se encontram detidos, preventivamente, perto de Assunção, capital do Paraguai.

NORBERTO DUARTE/Getty

Na sexta-feira, quando o definhar da imagem pública de Ronaldinho deu entrada na Agrupação Especializada da Polícia do Paraguai, também arrancou, por coincidência, o torneio de futsal da prisão, que coloca guardas e reclusos no mesmo campo, escreve o “ABC Color”.

Conta o jornal paraguaio que mesmo falido, excedente em quilos e presidiário, Ronaldinho é o sorriso mais cobiçado pela sua relação com o objeto que mais o motivava a sorrir. E que terá prometido a equipas de ambos os lados que, se não fosse, entretanto, libertado, jogaria no torneio, seja por Villa Real, Pira Guasu, Halcones, Chacarita, Sport Espada, Sport Pitufo ou Negro Cumbiero.

Estas são as equipas ditas interessadas em 'contratar' o brasileiro. Ronaldinho está preso, porventura assim ficará enquanto durar a investigação do caso e de possível ligação a uma rede maior de falsificação de passaportes e poder-se-ia presumir que não teria motivos para sorrir, coisa que sempre lhe pareceu ser inevitável.

Mas, ei-lo, boina na cabeça, t-shirt larga, calças ainda mais folgadas e ténis a brilhar de branco, sorrindo ao lado de um recluso anónimo, para uma fotografia tirada no interior da prisão. Ambos esticam o polegar e o dedo mindinho de uma mão, outro gesto que o brasileiro de duas Bolas de Ouro (2004 e 2005), um Mundial (2002) e uma Liga dos Campeões (2006) cunhou como seu.

Ronaldinho ainda sorri e faz 🤙.