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"Penso nas pessoas que vivem num apartamento de 70m2 com dois filhos e para mim essas pessoas têm muitos tomates"

Pepe Reina, antigo internacional espanhol, agora a jogar no Aston Villa, diz que, como futebolista, é um privilegiado por viver numa "casa grande, com jardim" e que receia estar infetado com o novo coronavírus, depois de ter sentido todos os sintomas

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PAUL ELLIS/Getty

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Transferido para o Aston Villa de Inglaterra por empréstimo do Milan na janela de inverno, Pepe Reina acabou por fazer apenas seis jogos pela equipa de Birmingham antes da paragem da Premier League devido ao surto do novo coronavírus. E foi de Inglaterra que falou à rádio COPE, de Espanha, admitindo que acredita estar infetado com a covid-19.

"Na última semana calhou-me a mim ter o "bicho". Aqui não te testam a não ser que estejas muito mal, mas falando com os médicos, os sintomas que tive apontam para isso, embora não tenha confirmação oficial. Tem sido uma semana diferente, tenho de ter todas as precauções para não contagiar quem vive comigo", sublinhou o antigo guarda-redes do Liverpool, Bayern Munique e Nápoles, que frisa estar numa posição privilegiada face a outras pessoas que neste momento sofrem os efeitos da pandemia.

"Sou uma pessoa privilegiada. Temos uma casa grande, com jardim. Eu penso nas pessoas que vivem num apartamento de 70m2 com dois filhos e para mim essas pessoas têm muitos tomates. Eu tenho uma casa com jardim, é muito mais fácil, só tenho quatro ou cinco vizinhos, temos uma certa liberdade de movimentos. Podemos fazer atividades físicas sem problemas", diz.

Pepe Reina diz que não pensa sequer no regresso do futebol - "Isso está em segundo plano, não me importa muito, para falar a verdade" - e que para ultrapassar esta situação é necessário todos sermos "cidadãos de bem e respeitar as normas".

"Quanto mais estritos, mais rapidamente isto passará. Temos de ficar em casa, tornar este confinamento severo. De todas as situações críticas sai-se muito mais forte e unido", sublinha ainda o internacional espanhol de 37 anos, que reforça na entrevista que "o bem-estar de todos" está acima do futebol.

"Não sei se voltaremos a jogar esta época, temos de ser prudentes a falar de datas e prazos. Entendo que há muitos interesses económicos em jogo, mas é assim em qualquer setor", frisa ainda.