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Jogadores do Barcelona aceitaram um corte de 70% nos salários. Messi, mais uma vez, não gostou do tratamento

Além de concordarem em passarem a receber nem um terço do que recebiam, os jogadores do Barcelona vão contribuir com dinheiro para que "todos os empregados do clube possam cobrar 100% do salário". Quem o anunciou foi o capitão Lionel Messi, que revelou estar "surpreendido" por terem colocado a "debaixo de lupa" e "pressionado" a equipa para "fazerem algo que sempre tiveram claro" que iam fazer

Diogo Pombo

Tim Clayton - Corbis

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Durante uns dias, a mensagem filtrada por alguns órgãos de comunicação social em Espanha era a seguinte: perante a suspensão das competições e o congelamento das receitas, o Barcelona decidiu reduzir os salários de todos os funcionários em 30%, aumentado a fatia para 70% no caso dos futebolistas da equipa principal, percentagem que os capitães não teriam gostado e estariam a lutar contra.

O clube respaldou-se na folha de salários, já que a primeira equipa do Barcelona representa 61% dos gastos totais e, cortando mais ali, a poupança seria maior. A alegada discórdia do plantel vinha daqui, escreveram os jornais espanhóis, por supostamente defenderem que as receitas originadas pelo futebol são maiores e, portanto, justificativas dos ordenados que auferem. E a questão arrastou-se durante alguns dias.

Até esta segunda-feira, em que Lionel Messi publicou, no Instagram, o comunicado em que anúncio que os jogadores vão mesmo ter os seus salários reduzidos em 70%, algo que já tinham decidido há muito tempo. "À margem da redução dos nossos ordenados, vamos fazer contribuições para que os funcionários do clube possam receber 100% dos seus salários enquanto durar esta situação", lê-se, sem que o argentino tenha ficado por aqui.

Instagram

Messi, depois, explicou que se os jogadores "não falaram até agora", isso deveu-se ao facto de "o prioritário ser encontrar soluções que fossem reais para ajudar o clube, mas também para os que seriam mais prejudicados por esta situação". Esta atitude foi louvada, entre outros, por Xavi ou Carles Puyol, antigos jogadores do Barcelona que reagiram nos comentários à publicação do argentino.

Mas o capitão do Barça afirmou, também, que "muito se escreveu e disse sobre a equipa principal de futebol" sobre salários e cortes e a primeira coisa que Messi esclareceu é que "a vontade da equipa sempre foi aplicar uma redução de ordenado, porque entendem perfeitamente que se trata de uma situação excecional". O argentino explica, depois, que os jogadores "são os primeiros que SEMPRE ajudaram o clube" quando lhes foi pedido, "inclusivamente por iniciativa própria".

Escrito isto, Lionel Messi revelou que "não deixou de surpreender os jogadores que de dentro do clube houve quem" tratasse de "os colocar debaixo da lupa" e tentasse "pressioná-los a fazerem algo que sempre tiveram claro que iriam fazer". O acordo, explicou, demorou uns dias a elaborar "simplesmente" porque estavam "a procurar a melhor fórmula" para ajudar o Barcelona "e os trabalhadores neste momento difícil".

Esta acaba por ser, portanto, a segunda vez esta época em que o capitão e mais que tudo do Barça critica publicamente, mesmo que meio subliminarmente, os responsáveis do clube - a primeira aconteceu em fevereiro, depois de Ernesto Valverde ser despedido e Quique Setíen contratado, quando Messi chamou irresponsável a Éric Abidal, ex-companheiro de equipa e atual diretor desportivo.