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Liverpool é o quinto clube da Premier League a colocar trabalhadores em lay-off

O líder da suspensa Premier League revelou, este sábado, que colocou perto de 200 funcionários em regime de lay-off, para que 80% do seu salário seja garantido por fundos governamentais, numa altura em que políticos ingleses têm apelado a que os futebolistas aceitem cortes nos salários ajudar os clubes e evitar que recorram ao erário público. Em fevereiro, o Liverpool anunciara ter fechado o ano anterior com 42 milhões de libras de lucros antes de imposto

Diogo Pombo

Laurence Griffiths/Getty

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Jürgen Klopp, treinador do Liverpool, 13 de março:

"Primeiro que tudo, todos temos que fazer o que podemos para nos protegermos uns aos outros, enquanto sociedade. Isto deveria ser sempre o caso durante a vida, mas, neste momento, acho que isso interessa mais do que nunca. Já o disse antes que o futebol parece ser a mais importante das coisas menos importantes. Hoje, o futebol e os jogos de futebol não são importantes, de todo."

Comunicado do Liverpool, 4 de abril:

"O Liverpool FC decidiu colocar alguns funcionários que são impactados pela suspensão da Premier League em regime de lay-off. O clube confirmou que esses funcionários terão 100% dos seus salários pagos para garantir que nenhum trabalhador fica em dificuldades financeiras."

Mais de duas semanas se contam entre as palavras do treinador do Liverpool e as do clube, que revelaram, este sábado, a decisão de colocar trabalhadores - o "The Guardian" noticia que são à volta de 200 - em regime de lay-off e, desse modo, a ficarem com 80% do seu salário vindo de um programa de assistência financeira criado pelo governo britânico para ajudar as empresas durante a crise de covid-19: ficam a pagar apenas os restantes 20% do vencimento.

O Liverpool é o quinto clube da Premier League, depois de Tottenham, Norwich, Newcastle e Bournemouth, a recorrer a este programa.

A decisão do clube do norte de Inglaterra surge, contudo, quando a contestação e polémica em torno das equipas do primeiro escalão inglês estão a ser criticadas pelos políticas e pela opinião pública do país, por recorrerem ao programa governamental e, assim, sobrecarregarem fundos públicos que poderiam ser destinados a empresas fora da indústria do futebol.

O contraste entre as declarações do treinador do Liverpool, no mês passado, e a decisão agora tomada pelo clube, foi montado por Jamie Carragher, assim que a decisão se tornou pública. "Jürgen Klopp mostrou compaixão por todos no início desta pandemia. Há jogadores seriamente envolvidos com a Premier League, a negociarem cortes nos salários. De repente, esse respeito e boa-vontade desaparece", escreveu antigo capitão do Liverpool, no Twitter.

Porque em causa também está o facto de, na sexta-feira, os treinadores e capitães de todos os clubes da Premier League terem reunido, por teleconferência, com responsáveis da liga, para discutirem e negociarem os termos de uma redução dos seus salários até 30% - precisamente para aliviar o peso das folhas salariais do futebol profissional nas despesas e poupar cortes nas despesas com outros trabalhadores, ou evitar que sejam estes a razão para os clubes recorrerem às ajudas do governo.

Esta semana, o líder do Comité para o Digital, a Cultura, os Media e o Desporto do parlamento britânico criticou a "situação obscena" dos clubes da Premier League por "jogadores de topo que não estão a trabalhar" continuem a receber "centenas de milhar de libras", enquanto "os funcionários que mantêm os clubes a funcionar estejam a perder salários". Julian Knight chegou mesmo a sugerir ao secretário do Tesouro inglês que seja aplicado um imposto aos clubes que não aceitem reduzir os ordenados dos futebolistas.

Em fevereiro, o Liverpool anunciou ter fechado a época passada (2018/19) com um resultado operacional de 42 milhões de libras.