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Morreu Radomir Antic, antigo treinador de Futre no Atlético. Também treinou Real Madrid e Barcelona. Tinha 71 anos

Treinador sérvio que levou o Atlético à vitória no campeonato e taça em 1995/96, é ainda hoje o único que treinou Real Madrid, Atlético Madrid e Barcelona

Pedro Candeias e Lídia Paralta Gomes

SANTIAGO LYON

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Aos 71 anos, Radomir Antic morreu esta segunda-feira, em Madrid, anunciou o Atlético Madrid, clube que levou à conquista do campeonato e taça na temporada de 1995/96. O treinador sérvio é ainda hoje o único a ter treinado os três mais importantes emblemas do futebol espanhol, Real Madrid, Atlético Madrid e Barcelona.

Depois de uma interessante carreira como futebolista, Antic começou a treinar no Partizan Belgrado. Depois de levar o clube da capital sérvia a dois títulos nacionais, seguiu para o futebol espanhol, um regresso ao Saragoça, onde havia jogado. Logo na primeira época, em 1988/89, levou o clube aragonês ao 5.º lugar na liga, garantindo uma das vagas para a Taça UEFA.

Substituiria Alfredo Di Stefano no Real Madrid em 1990/91. Na temporada seguinte, era líder da liga quando foi despedido: a direção dos merengues gostava dos resultados mas pouco da forma como a equipa jogava. Antic continuou nos anos seguintes em Espanha, no Real Oviedo, e em 1995/96 é contratado pelo Atlético Madrid para uma primeira temporada histórica. Numa equipa que tinha Molina, Kiko e Pantic, o sérvio levou o Atlético à conquista do campeonato e taça.

Sairia do clube de Madrid no final da época 1997/98, mas voltaria ao clube em duas ocasiões, para tentar salvar o Atlético da descida. Conseguiu-o em 1999, mas não em 2000. Foi ainda o responsável por trazer de volta Paulo Futre aos relvados com a camisola do Atlético, história que o português contou e entrevista à Tribuna Expresso.

Em 2002/03, foi chamado para o difícil trabalho de salvar uma das piores épocas do Barcelona dos últimos anos. Já de mãos atadas, deixou o clube catalão no 7.º lugar, deixando o cargo no final da época. Ainda treinaria o Celta de Vigo, em Espanha, antes de se tornar selecionador do seu país, que liderou no Mundial de 2010. Nos últimos anos treinou na China, antes de voltar a Espanha, onde se radicou.

Futre: “Já era embaixador do Atlético. Estava sentado, almoçado, a fumar e o Antíc diz-me para me equipar. Fiz dois golos em 20 minutos”

Figura ímpar do futebol, chegou a ser apelidado de "Maradona português". Jogou em vários clubes e países mas foi a Espanha que conquistou o seu coração. <em>A Tribuna Expresso republica a entrevista a Futre no dia em que se soube que o seu antigo treinador, Antíc, faleceu. E esta é a história de um treino mítico</em>