Tribuna Expresso

Perfil

Futebol internacional

A Bundesliga está (dois metros) à frente: equipas já treinam e jogos devem regressar em maio. Mas as bancadas ficam vazias até 2021

Todas as equipas alemãs já regressaram aos treinos e a Bundesliga estima retomar os jogos em maio. Mas não haverá adeptos nas bancadas assim tão cedo, revelou Christian Seifert, CEO da prova

Mariana Cabral

Sebastian Widmann

Partilhar

Enquanto a maioria das ligas europeias está completamente parada (o que já levou alguns adeptos a ganharem inusitado interesse no campeonato da Bielorrússia, o único que ainda prossegue) e ainda nem sabe bem como voltar à competição, na Alemanha o cenário já é bem mais animador para quem já tem saudades de ver a bola a rolar.

Esta semana, com as devidas precauções, todas as equipas da Bundesliga (e da 2ª divisão) voltaram aos treinos e o plano é retomar a competição já no início de maio, indicou Christian Seifert, CEO da prova, ao "The New York Times", acrescentando que as nove jornadas ainda em aberto devem ser disputadas até ao final de junho.

Essas são as boas notícias, mas também há das más: todos os jogos ainda por disputar serão realizados à porta fechada, por segurança, e o mais provável é que esse cenário - bizarro, naquela que é a liga europeia com melhor média de espectadores - se mantenha até ao final do ano, revelou Christian Seifert. Para disfarçar o vazio, o Borussia Mönchengladbach até começou a colar cartolinas de adeptos nas bancadas.

O Borussia Mönchengladbach decidiu colorir as bancadas com adeptos de cartão

O Borussia Mönchengladbach decidiu colorir as bancadas com adeptos de cartão

picture alliance

"Fazemos parte da cultura do país e as pessoas querem voltar a sentir um pedaço de normalidade na vida, e isso pode ser a Bundesliga a voltar", explicou o CEO ao jornal norte-americano, que acrescenta há mais de 100 mil casos de covid-19 no país, mas o sistema nacional de saúde tem estado à altura. "Por isso é que temos de cumprir o nosso papel, apoiar o governo e conversar sobre a melhor altura para regressar", acrescentou.

A Bundesliga estima que sejam necessárias 240 pessoas para cada jogo da prova, incluindo jogadores, treinadores, pessoal médico e staff de produção, havendo um grupo especial dedicado à higienização dos locais. "Queremos dar certezas aos jogadores, às famílias e à sociedade também", explicou Seifert.

O regresso à competição também permitirá minimizar as perdas financeiras, já que a suspensão definitiva da Bundesliga implicaria um prejuízo de €750 milhões. "Estamos todos a lutar para sobreviver", afirmou o CEO, admitindo que metade das equipas da 2ª divisão está perto de abrir falência.

Mesmo com a redução - sem grandes complicações - dos salários dos jogadores da maioria das equipas, as receitas são poucas e a Bundesliga considera mesmo, caso haja problemas com os pagamentos dos direitos televisivos, recorrer a empréstimos de fundos privados, como a KKR e a Apollo Global Management.

Com mais ou menos dinheiro, para Seifert, uma coisa é certa - na Alemanha e no mundo: "O mercado de transferências de verão não vai existir, vai colapsar. Há agentes que vão perceber que vão ter de trabalhar muito, ou pelo menos trabalhar; e algumas ligas vão perceber que o dinheiro não cai todos os meses do céu."