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Quem é o autêntico e verdadeiro Ronaldo?

Em mais uma das conversas em direto, via Instagram, que antigos e atuais craques têm feito nestes tempos de quarentena, o brasileiro Ronaldo confessou a Fabio Cannavaro que "deve ser incómodo" para o português Cristiano ouvir dizer que ele é que é "o verdadeiro Ronaldo"

Diogo Pombo

Stuart Franklin/Getty

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Não perguntem porquê, a mente é um lugar estranho, mas, pesquisando por ajuda no cérebro mais acessível de todos, teclar "nome Ronaldo" dá resultados diferentes do que "Ronaldo nome" e se, certamente, existe um intrincado e vasto rol de explicações algorítmicas para isto, nenhuma satisfaz o cerne do problema que o tipo devolvido pela primeira pesquisa levantou, cara chapada e falar diante de um telemóvel, durante a noite de segunda-feira.

O Ronaldo Luís Nazário de Lima satisfez, mais uma vez, o que se está a normalizar por estes dias de confinamento e atendeu uma chamada de Fabio Cannaro, para o mundo internauta ver. Puseram-se à conversa pelo Instagram, perante quem se quisesse juntar à audiência, e, às tantas, o "nome Ronaldo" soltou uma confissão quando a coisa chegou ao "Ronaldo nome" e à coexistência deles no mesmo mundo dividido por retângulos de relva.

Disse o brasileiro que "deve ser incómodo" para o português Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, resultante da segunda pesquisa, "que digam que eu sou o autêntico Ronaldo", quando se entra num dos hábitos mais humanos que há.

As pessoas, continuou, "não podem ser comparadas", mas o nome que partilham sempre foi um convite.

Ronaldo Luís apareceu antes, foi o miúdo dos dentes salientes que não maravilhou pelos golos que marcava, mas pela forma como os marcava, antes da crueldade das mazelas nos joelhos lhe amputarem a explosão e o arranque. Quando ainda as tinha a fazerem companhia ao restante talento invulgar, colaram-lhe a alcunha de Fenómeno, porque nunca se via um avançado assim.

Cristiano Ronaldo viria depois, a coincidência no nome em nada relacionada com o brasileiro (o pai, conta-se, apreciava Ronald Reagan e o batismo veio daí), para ser um multiplicador de fintas malabaristas ao início e se ir transformando numa fábrica de golos ambulante. A sorte e a meticuloso índice de trabalho sempre repeliram lesões graves, foi pulverizando todos os números do Ronaldo que lhe antecedeu e hoje, em feitos e factos, é superior.

"O Cristiano", voltando às palavras que o primeiro Ronaldo disse, "vai ficar na história do futebol pelos golos que marcou e pela continuidade que tem conseguido". O brasileiro reforçou que o português ficará "para a história como um dos melhores de sempre", assim "como o Messi" e "como outros", puxando da sua costela diplomática.

A verdade é que houve um Ronaldo e depois veio outro Ronaldo, cada um autêntico à sua maneira, nenhum mais verdadeiro que o outro. O isco, aliás, veio de Fabio Cannavaro, que introduziu o assunto na conversa com o brasileiro, ao sugerir que "sempre que se fala sobre o CR7, as pessoas dizem que tu és o verdadeiro Ronaldo".

Factualmente, há dois Ronaldos, sem haver um mais autêntico e verdadeiro. Um foi um fenómeno que à época apareceu, o outro continua a ser fenomenal a quebrar tudo o que são limites.