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Em 2016, a Suíça abriu uma investigação por alegada corrupção de Beckenbauer no Mundial'2006. Os factos prescreveram, a FIFA está desiludida

FIFA manifestou-se hoje “profundamente dececionada” pela prescrição de possíveis irregularidades quanto à atribuição do Mundial de futebol de 2006 à Alemanha, garantindo que a sua Comissão de Ética continuará a investigação

LUsa

Alexander Hassenstein

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A FIFA manifestou-se hoje “profundamente dececionada” pela prescrição de possíveis irregularidades quanto à atribuição do Mundial de futebol de 2006 à Alemanha, garantindo que a sua Comissão de Ética continuará a investigação.

“Para a FIFA, este caso não acabou, pois não podemos e não aceitaremos um pagamento de 10 milhões de francos suíços [9,47 milhões de euros] de contas da FIFA sem uma boa causa. Embora isso tenha acontecido há muitos anos e tenha sido sintomático na antiga FIFA, a Comissão de Ética independente continuará a investigar esse e outros assuntos semelhantes”, garantiu o organismo, em comunicado.

Em setembro de 2016, o Ministério Público Suíço abriu uma investigação criminal por suspeitas de corrupção na federação alemã, responsabilizando quatro elementos, entre eles Franz Beckenbauer, que presidiu ao comité organizador.

Em causa está a possível compra de votos associados à transferência dos 9,47 milhões de euros de uma conta conjunta com Beckenbauer e um seu consultor para uma empresa do Catar, de propriedade do ex-funcionário da FIFA Mohamed bin Hammam, irradiado do futebol devido a corrupção.

O campeonato do Mundo foi concedido em 2000 à Alemanha, cuja candidatura superou a da África do Sul por 12 votos a 11. Dias depois, o representante da Nova Zelândia, Charles Dempsey, revelou que se absteve depois de receber várias ameaças.

“A FIFA cooperou totalmente com esta investigação ao longo dos anos, respondendo a muitos pedidos da Procuradoria Geral da República e incorrendo em despesas significativas e tempo de gestão ao fazê-lo”, sublinha o organismo.

A instituição que gere o futebol mundial entende que “o facto de o caso ter terminado sem resultados é muito preocupante, não apenas para o futebol, mas também para a administração da justiça na Suíça”.

“Esperamos que a verdade sobre o pagamento de 10 milhões de francos suíços venha à tona um dia e que aqueles que cometeram atos ilegais sejam devidamente punidos, se não na Suíça, talvez noutros lugares”, acrescentou a FIFA.

Foi garantida a continuação da colaboração com todo o tipo de autoridades de justiça de forma a que “todos os responsáveis por causar danos ao futebol” sejam punidos.