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"É natural que a Série A queira jogar futebol", mas governo italiano diz que "está cada vez mais difícil"

Os 20 clubes que compõem a Série A manifestaram, esta sexta-feira, a vontade de terminar o campeonato, mesmo que o ministro do Desporto italiano tenha dito que, “se fosse presidente de um clube de futebol”, pensaria sobretudo em “preparar a próxima época em segurança"

Lusa

Os jogadores da Juventus a aplaudirem um estádio vazio, a 8 de março, quando defrontaram o Inter de Milão à porta fechada, já devido aos efeitos da pandemia de covid-19.

Daniele Badolato - Juventus FC

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Os 20 clubes da Série A italiana de futebol manifestaram, esta sexta-feira, o desejo de concluir a temporada de 2019/20, suspensa devido à covid-19, se as diretrizes e os protocolos de saúde definidos pelo governo o permitirem.

Reunidos em assembleia geral de emergência, por videoconferência, os clubes apoiaram a posição assumida, na quinta-feira, pelo presidente da Liga, Paolo Dal Pino, que, mesmo em “total colaboração com o governo”, considera “absurdo” não terminar a temporada.

Em causa estão as declarações proferidas pelo ministro italiano do Desporto, Vincenzo Spadafora, em que dizia ver “cada vez mais difícil um recomeço da competição" e às quais Paolo Dal Pino respondeu com a proposta de um “diálogo construtivo”.

“É natural que a Série A queira jogar futebol. Seria contra a nossa natureza dizer o contrário”, afirmou Dal Pino, colocando-se à disposição do governo transalpino para dialogar e colaborar no interesse do futebol e do desporto em geral.

Numa entrevista ao canal italiano de televisão "La 7", Vincenzo Spadafora disse que, “se fosse presidente de um clube de futebol”, pensaria sobretudo em “preparar a próxima época em segurança, que deverá começar no final de agosto”.

"Houve e sempre haverá um diálogo construtivo por parte da Série A e disposição para colaborar no interesse do futebol e do desporto em geral. Temos a certeza de que o trabalho do ministro do Desporto e o nosso visa o bem comum", referiu.

Apesar do ministro Vincenzo Spadafora ter defendido para se “seguir o caminho” de França e dos Países Baixos, que encerraram os campeonatos, o presidente da Série A quer voltar a ver a bola a rolar nos relvados transalpinos.

“Como todos os italianos, gostaríamos de voltar ao trabalho e viver a nossa vida o mais rápido possível. É normal que a Seria A queira que o futebol seja jogado e seria absurdo negá-lo. Se for possível fazê-lo respeitando as regras, tudo bem. Se não for possível, respeitaremos as decisões do governo”, garantiu.

O futebol, num campeonato que conta com o internacional português Cristiano Ronaldo (Juventus), é o único desporto em Itália que pretende terminar a época, tentando evitar perdas de receitas que podem atingir os mil milhões de euros.

O campeonato italiano de futebol foi interrompido em 09 de março, perante a propagação da pandemia do novo coronavírus, que já provocou mais de 27 mil mortes em Itália.

O governo italiano, nas medidas de desconfinamento anunciadas, só admite o regresso das modalidades coletivas aos treinos, “na melhor das hipóteses”, depois de 18 de maio.

Os campeonatos de futebol de França e Holanda foram, entretanto, cancelados, enquanto países como Alemanha, Inglaterra, Espanha e Portugal preparam o regresso à competição.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 233 mil mortos e infetou mais de 3,2 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Cerca de 987 mil doentes foram considerados curados.

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