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Presidente da federação de futebol do Haiti acusado de abuso sexual de jovens jogadoras do país

Testemunhos recolhidos pelo "The Guardian" acusam Yves Jean-Bart de coação a várias futebolistas, que seriam abusadas para não serem expulsas do centro de treinos das seleções do Haiti, perto da capital Port-au-Prince. Jean-Bart rejeita as acusações e diz que fazem parte de um plano para o tirar da liderança da federação, onde está desde 2000

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Alexandre Schneider/Getty

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Yves Jean-Bart, presidente da federação de futebol do Haiti desde 2000, terá abusado sexualmente de várias jovens jogadoras no centro de treinos das seleções nacionais da nação caribenha, em Croix-des-Bouquets, nos subúrbios da capital Port-au-Prince. As alegações foram tornadas públicas após uma investigação do "The Guardian", que recolheu testemunhos de vítimas, familiares, bem como de antigos funcionários do centro.

De acordo com o jornal, as jovens seriam coagidas a praticas sexuais com o presidente da federação, crimes que terão acontecido nos últimos cinco anos e que Jean-Bart, conhecido no Haiti como Dadou, rejeita.

Segundo uma das vítimas com quem o jornal britânico falou, uma das funcionárias do centro seria cúmplice e ajudava o presidente para que se concretizassem os abusos. "Quando ele via uma menina por quem se sentia atraído, mandava essa funcionária avisar a vítima que esta seria expulsa do centro e que a única forma de evitar a expulsão era falando com Dadou", revela a vítima, que falou sob anonimato, sublinhando que, num dos países mais pobres da região, muitas das jovens acabavam por não ter outra opção.

O "The Guardian" fala ainda do caso de uma jogadora que terá mesmo sido obrigada a fazer um aborto depois de ser vítima de abusos sexuais por parte de Jean-Bart.

"Estas jovens vivem num centro da FIFA… é lamentável porque elas querem jogar pelo país mas se falarem sobre esta situação são expulsas", revelou outra ex-jogadora do centro ao jornal.

Yves Jean-Bart diz que as acusações do "The Guardian" não são verdadeiras. "Não sou nem nunca fui um homem violento. Não percebo como é que alguém me pode fazer parecer um criminoso, ao ponto das famílias se sentirem intimidadas por mim", disse o líder da federação ao jornal. "Nunca encorajaria praticas desse género no futebol haitiano, muito menos num centro que é da minha responsabilidade", frisou ainda, dizendo que tudo não passa de um plano para o afastar do cargo, para o qual foi eleito pela sexta vez consecutiva em fevereiro.

Várias organizações que apoiam os direitos das mulheres no Haiti já pediram a intervenção do governo para investigar o caso. Já a FIFA terá enviado as informações recolhidas pelo "The Guardian" para a sua comissão de ética.