Tribuna Expresso

Perfil

Futebol internacional

“Tive cancro. Vesti camisolas debaixo de camisas para não se notar que perdi peso, não queria ser o coitadinho. Agora, aprendi a chorar”

Vialli não quer que o vejam como o durão. Essa imagem ficou lá atrás, antes de um cancro no pâncreas que está finalmente debelado. Em entrevista ao "Guardian", o antigo avançado italiano abre o coração. E chora

Tribuna Expresso

NurPhoto

Partilhar

O duro

"Há a questão da vergonha. Sempre fui visto como um durão. Um gajo forte com muita determinação. Não estar nessa posição deixou-me desconfortável. Não quis ser olhado como o coitadinho com uma doença. Por isso é que não espalhei a notícia durante 12 meses"

O fardo

"É um fardo pesado. As pessoas ligam-te para te dizer que estão pensar em ti. Eu pensei que seria melhor estar sozinho do que estar ao telefone. Por isso usei um casaco debaixo da camisa - para esconder que tinha perdido tanto peso. Agora mostro as minhas cicatrizes com orgulho".

As lágrimas

"Nunca fui particularmente bom a mostrar emoções, e mantive-as sempre dentro de mim. Não é bom. Agora, percebo que, quando quero chorar, chorar. Não há que ter vergonha. E quando quer rir, rio."

O cancro

"Descobri que o cancro no pâncreas era um dos piores. Por isso, fiquei chocado, confuso, sem esperança. Mas o facto de ter sido atleta ajudou-me. Eu estava habituado a lesionar-me, portanto, com o cancro, eu podia dizer o seguinte: operação? Quando? Estou a receber alta? Quando? Vou começar a quimioterapia? Quanto tempo? Para mim o que interessa é traçar objetivos."