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Klopp: “Sim, nós amamos o futebol, sim, é o nosso trabalho, mas não é mais importante do que a nossa vida, nem que a dos outros”

Jürgen Klopp, treinador do Liverpool, afirmou que aceitava a suspensão da Premier League, desde que isso pudesse contribuir para salvar uma vida humana que fosse

Lusa

Harold Cunningham - UEFA

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O treinador alemão do Liverpool considerou hoje que o futebol está "prestes a voltar" em Inglaterra, após serem retomados os treinos com os jogadores divididos em pequenos grupos, o que é "um bom sinal para os adeptos".

A paragem do futebol em Inglaterra por causa da pandemia da covid-19 deixou o Liverpool a duas vitórias do título da ‘Premier League', que não conquista há 30 anos, mas Jürgen Klopp afirmou nessa altura que aceitava a suspensão da competição, desde que isso pudesse contribuir para salvar uma vida humana que fosse.

Hoje, todavia, o técnico germânico acredita que o ambiente é suficientemente seguro para que os jogadores iniciem uma primeira fase de treinos sem que corram riscos.

"Sempre disse que não queremos apressar nada, e não acho que o estejamos a fazer. É um primeiro passo, com estes treinos mantendo a distância física entre os jogadores, mas é um passo na direção certa. O futebol está prestes a voltar, o que é também um bom sinal para os adeptos", disse Klopp, numa entrevista ao sítio oficial dos ‘reds’.

O ex-treinador do Borússia Dortmund, desta vez em declarações ao canal Sky Sports, assegurou que não colocará ninguém em perigo para fazer o que quer fazer: "Sim, nós amamos o futebol, sim, é o nosso trabalho, mas não é mais importante do que a nossa vida, nem que a dos outros".

No entanto, o objetivo da ‘Premier League' em retomar a competição a 12 de junho mantém-se em dúvida, perante a preocupação com a saúde de futebolistas e respetivas famílias.

Na terça-feira, foi anunciado que a primeira fase de testes de despistagem à covid-19 detetou seis casos positivos, em três clubes distintos, num universo de 748 amostras, desbravando um pouco mais o caminho para o retorno da competição.

O “Project Restart", um plano elaborado pela ‘Premier League' para preparar o regresso da competição, em suspenso desde 13 de março, esbarrou nos receios expostos publicamente por vários futebolistas de topo, como o argentino Sergio Agüero e o internacional inglês Raheem Sterling, ambos do Manchester City.

O lateral esquerdo Danny Rose, emprestado pelo Tottenham ao Newcastle no início do ano, comparou os jogadores a "ratos de laboratório", enquanto o ‘capitão’ do Watford, Troy Deeney, afirmou ter-se recusado a treinar para proteger o seu filho de cinco meses, que padecia de dificuldades respiratórias.

Por outro lado, um colega de equipa de Deeney, o defesa jamaicano Adrian Mariappa, confirmou que testou positivo para a covid-19 em declarações ao ‘Daily Telegraph': "Foi uma grande surpresa, visto que não saí de casa, exceto para fazer alguns exercícios e uma caminhada com as crianças".

Após a declaração de pandemia, em 11 de março, as competições desportivas de quase todas as modalidades foram disputadas sem público, adiadas - Jogos Olímpicos Tóquio2020, Euro2020 e Copa América -, suspensas, nos casos dos campeonatos nacionais e provas internacionais, ou mesmo canceladas.

Os campeonatos de futebol de França, Países Baixos, Bélgica e Escócia foram cancelados, enquanto outros países preparam o regresso à competição, com fortes restrições, como sucede em Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal, que tem o reinício da I Liga previsto para 04 de junho, depois de a Liga alemã ter sido retomada no sábado.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 323 mil mortos e infetou quase 4,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,8 milhões de doentes foram considerados curados.