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O silvado de André continua a fazer eco na Alemanha

Com o terceiro golo em quatro jogos desde o retorno da Bundesliga, o avançado português contribuiu para a vitória do Eintracht Frankfurt em casa do Wolfburgo, em mais uma partida em que o ser caseiro parece já não significar grande coisa

Diogo Pombo

SWEN PFORTNER/Getty

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A vivência na Bundesliga não estava a ser de todo meiga para o Eintracht Frankfurt, o que, indiretamente, significa desamores para com os portugueses, pois é a única equipa na Alemanha que os tem e logo dois, ambos inseridos numa convalescença que vinha já desde antes de a pandemia colocar tudo em pausa.

A equipa não andava longe dos lugares de despromoção e, regressado o campeonato alemão, mais perto ficou com as duas derrotas, o empate e um futebol esburacado nas alturas em que não tem a bola. Algo tinha que ser feito, e rápido, a inconveniência era o próximo jogo, portanto este, se jogar contra o Wolfsburgo e não propriamente em Wolfsburgo, porque jogar-se em casas vazias gente parece estar a retirar-lhes a qualidade de serem um fator - só em cinco dos 28 encontros anteriores a vitória foi para a equipa visitada.

Visitar o Wolfsburgo era um problema, sim, por o adversário estar no 6.º lugar e ter vencido por 1-4 o Bayer Leverkusen na jornada anterior atacando, rematando e produzindo muito nas imediações da baliza dos outros, algo que voltou a acontecer aqui, em que a equipa verde e do patrocínio em duplo v pontapeou 11 bolas à baliza dentro da área. Controlou, dominou e tentou, mas não foi um jogador seu a atacar uma bola cruzada para a área, ser abalroado pelas costas e ser o alvo do penálti que o próprio bateu.

Esse foi André Silva.

O único dos portugueses em campo marcou o sétimo golo na Bundesliga, mais um sem adeptos nas bancadas e no meio de estádios vazios, onde o som de pés a passarem a bola ecoa pelo recinto e nos chega pela televisão. Foi dele, praticamente, o único de bom feito pelo Eintracht, que mais parecia estar a lutar contra um tempo inadiável.

Que seria o do golo vindo da cabeça cheia de rastas do suíço Mbabu, lateral do Wolfsburgo mais errático e apressado da segunda parte que, mesmo assim, parecia continuar embalado para uma recuperação. E André Silva sairia aos 77' para entrar um não-português mas conhecido dos portugueses, Bas Dost, que também indiretamente manteve a ligação portuguesa ao que seria um triunfo inesperado.

Porque foi o holandês, na área, a ajeitar de cabeça a bola que Kamada remataria para o 1-2 e prolongaria o silvado iniciado por Silva. O Eintracht Frankfurt ganhou, mais de três meses depois da anterior vitória, um retorno que coincide com o bom regresso que o avançado português está a ter ao estado de futebol possível neste momento: foi o terceiro golo em quatro jogos nestes tempos de pandemia.