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Bayern: o melhor é aprender a contar até dez em alemão, pois já são faltam dois títulos para lá chegar

O poderosíssimo Bayern de Munique conquistou a a Bundesliga com um triunfo sobre o Werder Bremen (1-0, golo do inevitável Lewandowski). Nota: em dezembro, o clube bávaro estava no sétimo lugar

Lusa

MARTIN MEISSNER

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O Bayern Munique era sétimo classificado no início de dezembro, a sete pontos da liderança, mas, a partir daí, venceu 17 de 18 jogos, cedendo apenas um empate, e sagrou-se, tranquilamente, octocampeão alemão de futebol.

Com duas rondas por disputar, os bávaros fizeram a festa que a pandemia de covid-19 permitiu, numa época atípica, também porque já não estiveram Ribéry (após 12 épocas) e Robben (10) e foi preciso ‘chicotear’ o treinador.

No início de novembro, o croata Niko Kovac foi afastado, após a goleada por 5-1 sofrida em Frankfurt, à 10.ª ronda, e cedeu o lugar a Hans-Dieter Flick, que era para ficar dois jogos e já não saiu, levando os bávaros ao ‘redondo’ 30.º cetro.

Apesar de um desenrolar diferente, a ‘1. Bundesliga’ acabou como quase sempre, com o ‘todo poderoso’ Bayern a impor-se a toda a concorrência, para um oitavo cetro seguido, nono em 11 anos ou 16.º em 22 (72,7%), num domínio quase absoluto.

O avançado polaco Robert Lewandowski, já com um recorde pessoal de 31 golos e perto do melhor registo na prova desde 1976/77 (34 de Dieter Müller) - foi a ‘estrela’, ele que, como outros, o Bayern ‘roubou’ aos rivais, enfraquecendo-os e fortalecendo-se, para ganhar, ano após ano, com mais ou menos tropeções.

Em 2019/20, o cenário não foi diferente, sendo que, após um empate a abrir (2-2 na receção ao Hertha Berlim), o Bayern conseguiu isolar-se na frente logo à sexta jornada, com 14 pontos (em 18 possíveis), contra 13 de um quinteto perseguidor.

Os golos de Lewandowski (marcou nas primeiras 11 jornadas) foram fazendo a diferença, mas, nas rondas seguintes, já não bastaram, com o Bayern a vencer apenas um de quatro jogos, incluindo o 1-5 em Frankfurt, que fez tombar Niko Kovac.

Para substituir o croata, o Bayern escolheu, interinamente, Flick, que foi anunciado para dois jogos, depois, em 15 de novembro, ‘reconduzido’ até ao Natal, para, em 22 de dezembro, ver o contrato alargado “pelo menos até ao final da época”.

O arranque auspicioso - 2-0 ao Olympiacos, 4-0 ao Borussia Dortmund, 4-0 em Düsseldorf e 6-0 ao Estrela Vermelha, em Belgrado – lançou-o e permitiu-lhe resistir aos desaires consecutivos na ‘Bundesliga’, com Bayer Leverkusen e Borussia Mönchengladbach.

O Bayern caiu para o sétimo posto e as contas do ‘octo’ pareciam complicar-se, mas a resposta foram 17 vitórias nas 18 rondas seguintes, sendo que, após o ‘nulo’ na casa do Leipzig, então a um ponto, à 21.ª jornada, são já 11 os triunfos consecutivos.

A pandemia de covid-19 que parou a prova numa altura em que os bávaros já lideravam, quatro pontos à frente do Borussia Dortmund, nada mudou para o ‘onze’ de Flick, que ‘acabou’ com a prova à 28.ª jornada, com um triunfo em Dortmund por 1-0.

Joshua Kimmich marcou, num Signal-Iduna Park silencioso, face a uma retoma à porta fechada, o ‘golo do título’, colocando, a seis jornadas do fim, o Bayern como sete pontos à maior.

Os bávaros não desaceleraram e, com dois embates por disputar, já são octocampeões, feito que teve, em todas as épocas, a participação do guarda-redes Neuer, dos defesas Boateng e Alaba, do médio Javi Martínez e do avançado Thomas Müller.

Estes jogadores, juntamente com Lewandowski e Thiago Alcântara, conferiram experiência, que foi mesclada com a irreverência de uma série de jovens, como Alphonse Davies, Pavard, Gnabry ou Kimich, mais Coman ou Goretzka.

O Bayern tem presente e futuro, sendo que a ‘Champions’ é igualmente um objetivo: os alemães, que na fase de grupos golearam fora o Tottenham por 7-2, estão com ‘pé e meio’ nos ‘quartos’, após o 3-0 na casa do Chelsea, na primeira mão dos ‘oitavos’.