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Timo Werner no Chelsea, timão à vista

O alemão Timo Werner que muito queria o Liverpool e era querido por Jürgen Klopp, preferiu o Chelsea de Frank Lampard assim que o mais que provável campeão inglês recuou nas suas intenções. Em Londres, o avançado, que terá custado quase 60 milhões de euros, terá a garantia de liderar o ataque de uma equipa que se está a reforçar como nenhuma para a próxima época

Diogo Pombo

ADRIAN DENNIS/Getty

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Reuniões houve, mensagens de WhatsApp trocaram-se, um sedutor treinador de quem, de fora, parece complicado não gostar, a polvilhar o seu charme em cima do jogador mais desejável da Alemanha por uma especial combinação de fatores: Timo Werner é rápido, velozmente genial, faz golos à bruta, tem uma grande capacidade técnica a executar com rapidez e ninguém é capaz de construir um caso sólido que contradiga a ideia de que será à volta dele que orbitará o futuro da seleção germânica durante a próxima década.

O carisma de Jürgen Klopp parecia ter tratado do resto. Partilhando o idioma e sendo alvo de admiração, o rockeiro técnico tinha a admiração de Timo, decidido em mudar-se para Liverpool já daqui a umas semanas, varrer as ruas em procura de casa, deixar isso tratado e ir de férias, como a "The Athletic" avançou. Depois entregar-se-ia aos métodos do mais que provável técnico conquistador desta edição da Premier League, dando, 30 anos depois, o título ao clube com o pouco discutível melhor tridente de homens que hoje em dia conspira para atacar uma baliza.

Coexistir com Salah, Mané e Firmino iria, à partida, fazer Werner arrancar com atraso e ser um suplente luxuoso, a ter que desbravar caminho para tirar alguém deste trio, mas, mesmo assim, o alemão queria o Liverpool. E até há três semanas o Liverpool também o queria, até Klopp ir falar com os donos do Liverpool e perceber que afinal não, que pagar os quase 60 milhões de euros da cláusula do avançado ao RB Leipzig era um gasto a evitar devido à pandemia.

Ela tocou a todos e, especialmente, ao Liverpool, porque às perdas de lucros operacionais e de direitos televisivos juntou as gordas fatias cortadas na sua perceção pública, quando quem dá ordens no Liverpool, um dos clubes mais ricos do mundo, pediu o regime de lay-off para os seus trabalhadores - e, portanto, quis recorrer a dinheiros públicos ingleses -, apenas recuando na intenção quando se apercebeu do quão publicamente criticado estava a ser por isso.

Disseram a Klopp que nada feito, o treinador informou o jogador, Timo Werner recebeu telefonemas de outro e decidiu-se pelo clube que se mexeu mais rápido na reação a este acontecimento: o Chelsea.

Marc Atkins/Getty

O frenético avançado dos 93 golos em 157 jogos espalhados por quatro épocas (20, 21, 20 e 32, para já) no RB Leipzig aceitou ir para o clube londrino que, de momento, não exulta de poderio doméstico e europeu como o Liverpool, mas que terá em Frank Lampard um técnico capaz de lhe garantir o que qualquer jogador ama. Muitos minutos em campo, quiçá o máximo que for possível, pois, se jogar como tem jogado na Alemanha, Timo Werner liderará qualquer formato de ataque que possa ser montado no Chelsea.

O modelo de jogo passador e pensado de Lampard é, também, bastante vertical na forma como quer a equipa a avançar em campo e sendo a seta humana que é, Werner poderá beneficiar e muito de um sistema que venha a ser trabalhado para se aproveitar das suas qualidades. E das de Hakim Ziyech, o esguio marroquino do Ajax cuja contratação o Chelsea já assegurou há meses e que ia na sexta época seguida a dar, pelo menos, 10 assistências para outrem da equipa marcar golos.

Emparelhados numa equipa que já tem Christian Pulisic, muito arreliado por lesões esta temporada, um Tammy Abraham que garante outra forma de procurar o homem da área e de o servir, e possivelmente mais um Kai Havertz (Bayer Leverkusen) ou um Jadon Sancho (Borussia Dortmund), miudagem talentosa que também se fala estar a ser cortejada pelo Chelsea, antecipa-se um potencial dos grandes para Frank Lampard trabalhar.

O treinador que está a ter, esta época, a primeira experiência na Premier League e, ao mesmo tempo, a tentar remodelar um milionário clube gastador para o orientar um pouco mais para os jovens, parece, aos poucos, ir reunindo os reforços que alegadamente tanto andou a pedir a Roman Abramovich. E garantir Timo Werner pode ter sido o passo decisivo para ter condições de formar um timão.