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Mourinho foi prático, Bruno Fernandes foi frio. Ficou tudo empatado

Era um dos jogos mais apetecíveis deste regresso da Premier League. Tottenham contra Manchester United, José Mourinho contra Bruno Fernandes. O técnico quis e começou por ganhar a batalha estratégica, o médio tentou, tentou e tentou até que marcou o golo que fechou o marcador (1-1). Só podia ter acabado em empate

Lídia Paralta Gomes

Matthew Peters/Getty

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Por estes dias o jogar em casa é um conceito muito relativo, na medida em que as equipas jogam, de facto, nas suas instalações, mas não jogam frente às suas gentes e isso, ao contrário até do que esta vossa escriba pensava, está a ter efeitos um pouco por essa Europa fora.

Poderá ter sido por isso que o Tottenham foi esta sexta-feira no seu estádio uma equipa mais expectante. Ou então, muito provavelmente, estamos apenas a falar da tática de Mourinho para o jogo, porque já há algum tempo que esta é a tática de Mourinho para muitos jogos: dar a iniciativa ao adversário, esperar uma falha, um ataque rápido e marcar.

Nos primeiros 25 minutos de jogo, a bola foi do Manchester United, com o Tottenham a fazer controlo à distância, com sucesso. Só um erro de Sanchez, num corte defeituoso a um cruzamento de Bruno Fernandes, permitiu que a baliza de Lloris sentisse a iminência do perigo: Rashford rematou de primeira, mas o guarda-redes estava atento.

O jogo só mudou ligeiramente de figura após a obrigatória paragem na Premier League para hidratação, aos 22’, logo a seguir ao remate de Rashford. A partir daí viu-se um Tottenham menos preocupado em ver o jogo ao longe mas a tentar ativamente congeminar estratégias de chegada rápida à baliza. Resultou logo ali. Aos 27 minutos, a bola saiu dos pés de Lloris lá para a frente e depois de uma pequena carambola chegou a Bergwijn, o holandês contratado por Mourinho no Natal e que estava a ser uma das figuras da equipa até à paragem forçada das operações. O avançado pegou na bola a meio-campo, arrancou por ali fora e rematou, num lance em que De Gea podia ter feito mais.

Remediou o erro o espanhol logo a seguir, salvando uma bola que Son havia cabeceado com direção mais que certa para o fundo da baliza, após um cruzamento largo de Bergwijn, que viu o sul-coreano sem marcação do lado esquerdo do ataque.

Matthew Ashton - AMA/Getty

Temos Tottenham, assim parecia à meia-hora de jogo. Um Tottenham pouco brilhante, mas prático, a jogar a poucos toques, sem grandes cerimónias ou salamaleques. Processos simples e uma marcação cerrada a Bruno Fernandes, com Winks e Sissoko sempre em cima do português - a receita estava a resultar.

Mas a 2.ª parte trouxe um Man. United mais sufocante. Bruno Fernandes conseguiu iludir com mais facilidade os seus polícias e o Tottenham viu-se de repente com grandes dificuldades em controlar, algo que tão bem havia feito na 1.ª parte. Com a entrada de Paul Pogba, aos 63’, a tarefa do meio-campo londrino ficou ainda mais hercúlea.

Bruno Fernandes, que já havia tentado de longe com perigo aos 54’, ofereceu a Martial o golo com um passe mágico para a área, aos 64’, mas o francês deixou-se antecipar por Dier. Dois minutos depois, foi Lloris com uma grande defesa a negar o golo ao francês - por esta altura, já Pogba e Bruno Fernandes mandavam no jogo.

José Mourinho percebeu isso mesmo, percebeu que o Tottenham precisava de mais bola e com a entrada de Lo Celso e do português Gelson Fernandes o jogo equilibrou. Mas a 10 minutos do final, o talento de Pogba, um talento que infelizmente só aparece quando o gaulês está para aí virado, arrancou uma grande penalidade, que Bruno Fernandes converteu com a maior das friezas, frente a um guarda-redes que estava em noite de super-herói.

Feitas as contas, entre o pragmatismo de Mourinho e a frieza de Bruno Fernandes, acabou tudo empatado e talvez não pudesse ser de outra forma.