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Procurador-geral suíço demite-se por causa de reuniões com Infantino

Lauber, suspeito de conluio com Gianni Infantino, devido a várias reuniões informais com o presidente do organismo que rege o futebol mundial, disse, em comunicado, renunciar ao cargo para defender "o interesse das instituições"

Lusa

LAURENT GILLIERON

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O procurador-geral suíço, Michael Lauber, apresentou hoje a demissão do cargo, depois de vários encontros com o presidente da FIFA, Gianni Infantino.

Lauber, suspeito de conluio com Gianni Infantino, devido a várias reuniões informais com o presidente do organismo que rege o futebol mundial, disse, em comunicado, renunciar ao cargo para defender "o interesse das instituições".

O procurador-geral foi retirado da investigação ao escândalo de corrupção que assolou a FIFA em 2015, o denominado 'FIFAgate', por não ter declarado os contactos estabelecidos com Infantino, tendo também sido sancionado com um corte salarial de 8%, pelo Ministério Público da Suíça, por ter mentido e obstruído a investigação disciplinar que era alvo.

Hoje, o Tribunal Administrativo Federal (TAF) acolheu parcialmente o recurso de Lauber, reduzindo o corte para 5%, mas o procurador acabou por se demitir.

"No essencial, foram violados os deveres do procurador-geral, em particular no que diz respeito à terceira reunião com o presidente da FIFA, também considerada uma violação grave dos seus deveres", lê-se no comunicado do TAF, que reconhece que Lauber "prejudicou a reputação" do Ministério Público, sem estar ciente da "ilegalidade dos seus atos".

Em comunicado, Lauber disse "respeitar a decisão do TAF", mas continuando "a rejeitar veementemente a acusação de mentir".

Em 04 de julho, a justiça suíça nomeou Stefan Keller como procurador extraordinário para avaliar supostos atos de conluio por parte de Infantino e Lauber, resultantes de denúncias anónimas.

Keller, presidente do Supremo Tribunal e presidente do Tribunal Administrativo do Cantão de Obwalden, é o responsável por "avaliar as denúncias criminais transmitidas" à Autoridade de Vigilância do Ministério Público da Confederação Suíça, contra Lauber, Infantino "e outros", segundo revelou, na altura, a autoridade que supervisiona a acusação.

Caso o procurador extraordinário considere que "existem indícios", será aberto um processo criminal juntos das comissões competentes.

Na mesma altura, também através de um comunicado, a FIFA "acolheu" a decisão de nomear um procurador extraordinário, reforçando que "continuará a cooperar de forma transparente com as autoridades suíças, pois é do seu interesse que as queixas anónimas sejam tratadas o mais rápido possível".

Atualmente, estão abertos processos penais contra três ex-dirigentes do organismo que rege o futebol mundial, incluindo o antecessor de Infantino, o suíço Sepp Blatter, e o atual presidente do Paris Saint-Germain, Nasser al-Khelaifi, sendo que todos eles negaram quaisquer irregularidades.