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Málaga avançou com um processo de despedimento coletivo. Renato Santos é um dos jogadores visados, Orlando Sá não

O internacional português foi contratado pelo clube da segunda divisão espanhola há seis dias. Esta segunda-feira, o Málaga anunciou que vai avançar com um processo de despedimento coletivo na equipa principal, sem mencionar nomes ou número de jogadores. Orlando Sá confirmou à Tribuna Expresso que não é um dos futebolistas, ao contrário de Renato Santos, que se inclui no lote de jogadores afetados pela última medida de um clube que, há sete anos, estava a jogar nos quartos-de-final da Liga dos Campeões

Diogo Pombo

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Uma foto tem Orlando Sá encamisado e de máscara na cara, noutra aparece sem o pano a tapar-lhe a cara, com uma camisola do Málaga nas mãos. Outra, com ele mais sorridente, mostra-o a responder a perguntas de jornalistas, durante a sua apresentação. Sobra uma com o português equipado, o nove nas costas, a dar toques numa bola para se mostrar como a tradição manda. A 18 de agosto, o Málaga confirmava o avançado, de 32 anos, para o mundo ver.

Esta segunda-feira, 24 de agosto, o clube da segunda divisão espanhola anunciou, no site oficial, que "comunicou aos jogadores da equipa principal" o início de "um processo de despedimento coletivo", inserido na "reestruturação" que, assim, vai "afetar diretamente a primeira equipa". Seis dias depois de Orlando Sá assinar para um novo clube, esse clube revela que vai despedir jogadores da equipa principal. Vários jornais espanhóis noticiaram que seriam até 11.

O internacional português confirmou à Tribuna Expresso que não é um deles, ao contrário de Renato Santos, o outro português do plantel, que trocou o Boavista pelo Málaga no verão de 2018 e tem 60 jogos feitos pelo Málaga. Aos jogadores visados, escreve o El País, terão sido apresentadas duas vias: ou aceitam reduzir o salário para menos de 200 mil euros anuais, ou ficam desvinculados do Málaga.

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Ascensão e queda

Era uma história como, na altura, havia apenas algumas, mas hoje há muitas. Um xeique, munido com milhões se não forem biliões de euros convertidos a partir da fortuna feita no Médio Oriente, interessou-se pelo futebol europeu, viu uma oportunidade em Espanha e, por uma quantia que nem terá chegado aos 40 milhões de euros, comprou o Málaga, em 2010, ao então presidente Fernando Sanz, filho de Lorenzo, antigo presidente do Real Madrid.

Longe de ser um matulão, o clube competia na primeira divisão do país, mas as arrelias financeiras levaram o líder ao Qatar, cortejando investimentos e encontrando em Al Thani uma fonte. O membro da família real qatari fez o que tantos endinheirados acionistas recém-chegados a um clube costumam fazer, injetou milhões para contratações e ao Málaga chegaram Ruud Van Nistelrooy, Santi Cazorla, Javier Saviola, Joaquín ou Júlio Baptista, jogadores que de outra forma talvez não fosse pontapear bolas para a Andaluzia.

Mas foram e, em 2012/13, ascenderam o Málaga até aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, fizeram cócegas a clubes incomparavelmente maiores em talento, troféus e expetativas, parecia uma base a ser feita para que algo estável pudesse ser construído. Só que, na época seguinte, a UEFA multou o clube por irregularidades financeiras, impedindo-o de participar nas provas europeias em 2013/14, época na qual Isco, Toulalan e Joaquín foram vendidos. As estrelas debandavam.

E o declínio afundou-se até 2018, quando o clube foi despromovido após 10 épocas na primeira divisão. A época passada ainda chegaram ao play-off de subida, nesta terminaram na 14.ª posição, o iô-iô existencial com corda instável e ainda mais pelo que se tem sabido nos últimos tempos.

No verão de 2019 apenas lhe foi permitido inscrever 17 jogadores, por violar as regras financeiras da La Liga. Em janeiro deste ano, o treinador Victor Sánchez del Amo foi despedido, após um vídeo seu, de cariz sexual, ter sido divulgado. Em fevereiro, uma ordem judicial afastou Al Thani e os três filhos do clube, após uma queixa da associação de sócios minoritários do clube, que têm cerca de 2% das ações da SAD, escreve o El País; em maio, a administração judicial do Málaga iniciou um processo para despedir 50 funcionários.

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    A casa às costas

    Orlando Sá, 31 anos, está a tirar o curso de treinador UEFA B, na Bélgica, mas confessa que mais depressa se vê como manager ou diretor desportivo. Formado no clube do coração, o SC Braga, chegou a jogar no FC Porto, mas foi fora de portas que fez a maior parte da carreira. Esteve em Inglaterra, país que adora e onde tem casa, no Chipre, na Polónia, em Israel e na China, além da Bélgica, onde ainda joga no Standard Liège. Nesta entrevista fala-nos do amadorismo do Chipre, de como passou a admirar os judeus, da reação de Sá Pinto à sua saída para a China, onde diz ter vivido um pequeno pesadelo pela falta de civismo dos chineses; e conta-nos histórias caricatas que metem carros, polícias, aeroportos, rock e pêlos de cão

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    Ele já jogou em cinco países e seis clubes diferentes, uma aventura que lhe valeu, por exemplo, ter conhecido Johan Cruijff, semanas antes de o holandês falecer. Orlando Sá está agora no Standard de Liège e vai com 15 golos marcados, que o fazem o segundo melhor marcador português no estrangeiro esta época, apenas atrás de quem nós sabemos. Aos 28 anos, acha que hoje é mais fácil ser-se miúdo e português e jogar em Portugal, do que no tempo em que ele apareceu