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A Udinese vai vestir a farda que Zico usava em 83/84

Arthur Antunes Coimbra, ou o “Pelé branco” para muitos, chegou ao campeonato italiano em 83/84, pouco depois daquela tragédia de Sarriá, em que os italianos enganaram o quadrado mágico de Telê Santana. No primeiro ano, depois de cobiçado por grandes clubes, Zico foi o segundo melhor marcador da Serie A, só atrás de Platini

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Alessandro Sabattini

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Em tempos idos, os grandes clubes italianos contratavam os melhores futebolistas, mas havia limitações para estrangeiros. Por isso, os clubes mais pequenos, de vez em quando, tinham direito a contar com grandes craques nos seus plantéis.

Toninho Cerezo, por exemplo, esteve muitos anos na Sampdoria, já Enzo Francescoli passou por Cagliari e Torino. E há muitos outros, por isso vamos diretos ao assunto: a Udinese escolheu um equipamento para a época que se avizinha que fez soar os alarmes nas cabeças dos adeptos com memória.

Zico. Certo? Arthur Antunes Coimbra, ou o “pelé branco” para muitos, chegou ao campeonato italiano em 83/84, pouco depois daquela tragédia de Sarriá, em que os italianos enganaram o quadrado mágico de Telê Santana. “Depois de 16 anos no Flamengo, tendo conquistado todos os títulos possíveis no clube e com duas Copas do Mundo no currículo, o camisa 10 foi aventurar-se na Udinese. Uma passagem marcada pelas disparidades entre a primeira e a segunda temporada, mas que está longe de ser o fracasso retumbante apontado por muitos”, lembra este artigo da “Trivela”.

Segundo esta publicação, Juventus, Nápoles e Roma terão tentado o criativo daquele magnífico Brasil de 82, mas foi Udine que ganhou a lotaria, graças à transferência que terá custado seis milhões de liras, ou qualquer coisa como 3,4 milhões de euros.

O Flamengo até tentou travar o negócio, mas era uma quantia tão gorda que estava em cima da mesa que foi impossível. “Era tanto dinheiro que o negócio chegou a ser anulado pela federação italiana, alegando que a Udinese não havia comprovado suas condições financeiras”, pode ler-se no mesmo artigo da “Trivela”. “A ida de Zico a outro clube europeu chegou a ser cogitada, com o Real Madrid encabeçando as especulações. Só depois da pressão política feita pela torcida – o slogan levantado era “Zico ou Áustria”, em referência ao domínio do Império Austríaco sobre a região durante o Século XIX – é que a transferência foi liberada, com o intermédio do presidente italiano, Sandro Pertini.”

Depois da polémica, o futebol. E aí, senhores, era a cantiga preferida de Zico e dos seus pés. Na primeira jornada da Serie A, no campo do Genoa, a Udinese de Enzo Ferrari goleou por 5-0, com dois golos de Zico, o novo camisola 10, o herói daquela gente. Na jornada seguinte, contra o Catania, onde jogava Claudio Ranieri, Zico voltou a meter mais dois golos. Dois jogos, quatro golos. O dinheiro e aquela conversa toda eram certamente memórias distantes…

Alessandro Sabattini

“Ainda que Zico continuasse destoando, o bom início da equipa treinada por Enzo Ferrari não se manteve”, continua o artigo da “Trivela”. “Dona do terceiro melhor ataque da Serie A (47 golos marcados em 30 rodadas), a Udinese descompensava com a terceira pior defesa (40 golos sofridos) e encerrou a campanha na nona colocação, a duas vitórias da zona de classificação para a Taça UEFA.” A Juventus de Michel Platini foi campeã, seguida por Roma e Fiorentina. O francês foi o melhor marcador da Serie A, com 20 golos, mais um do que… Zico. A Udinese chegou ainda aos quartos da taça, onde caiu, em dois jogos, com o Hellas Verona

A segunda época foi outra história, com várias lesões musculares e apenas três golos em 15 jogos, que pouco contribuíram para a luta pela manutenção. O clube terminou dois lugares acima da linha de água. Fora do campo, conta a “Trivela”, Zico teve problemas com o fisco, assim como o clube, acusado de fraude na contratação. “Diante de tantos problemas, a volta ao Flamengo, em 1985 foi um alívio para o camisa 10, que ainda tinha seu nome ligado à Juventus e ao Torino.”

Apesar de tudo e por tudo, Zico ainda é venerado pelas gentes de Udine e em 2009 até recebeu o título de cidadão honorário.

Carlos Kaiser, o malandro: "Eu odiava ser jogador de futebol, mas adorava tudo o que vinha com isso. As mulheres, as festas e as amizades"

Esteve nas principais equipas do futebol brasileiro (e quase em Portugal), mas nunca jogou. A história Carlos Kaiser virou filme por convencer os clubes a contratá-lo, e depois fez de tudo para nunca entrar no relvado. Kaiser por anos contou a história do malandro que enganou o futebol. Para a <strong>Tribuna Expresso</strong>, contou também a da pessoa que sofreu por causa dele