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Barcelona. “Bartomeu é a única pessoa que sobreviveu graças à covid”

Jorge Valdano, um homem do futebol ligado sobretudo ao Real Madrid, disse que não vai sair do Barcelona apenas um jogador, mas antes um símbolo. “A situação, para além de complicada, é imprevisível. O clube não esperava uma decisão desta magnitude. E não há volta atrás. Cada vez que há um caso destas características, recordo uma frase de Julio Cortázar: quando uma pessoa diz que se vai embora, é porque já foi. Já foi, mentalmente, porque não encontrou, nos últimos anos, o apoio futebolístico para a sua condição de veterano. Ou seja, uma equipa para apoiar-se para continuar a ganhar"

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GUILLERMO LEGARIA

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A frase do título é de Jorge Valdano, antigo futebolista, treinador e diretor desportivo de renome. O argentino falou à rádio Onda Cero, de Espanha, e comentou a situação no Barcelona com a iminente saída de Lionel Messi. Quando Valdano referiu que Josep Maria Bartomeu, o presidente do clube, se salvou devido à pandemia, explicou que, caso não estivéssemos a viver estes tempos de um vírus por vencer, as ruas de Barcelona estariam viradas do avesso, com adeptos do Barça insatisfeitos.

“Não acreditávamos que Messi podia tomar uma decisão deste calibre e efetivamente é uma notícia que pode fazer tremer o futebol espanhol e muito particularmente o Barcelona, futebolisticamente e institucionalmente”, continuou Valdano. “Há poucos dias, Bartomeu disse que não havia uma crise institucional, mas sim uma futebolística. Bom, neste momento há sobretudo uma crise institucional, porque quando chegou [Ronald] Koeman disse que tudo seria à volta de Messi. Bartomeu disse que quando falou com Koeman estavam os dois de acordo de que o projeto andaria à volta de Messi. E agora o centro do projeto disse ‘basta’. Agora sim, a crise fez-se viral.”

Jorge Valdano, um homem do futebol ligado sobretudo ao Real Madrid, disse que não vai sair do Barcelona apenas um jogador, mas antes um símbolo. “A situação, para além de complicada, é imprevisível. O clube não esperava uma decisão desta magnitude. E não há volta atrás. Cada vez que há um caso destas características, recordo uma frase de Julio Cortázar: quando uma pessoa diz que se vai embora, é porque já foi. Já foi, mentalmente, porque não encontrou, nos últimos anos, o apoio futebolístico para a sua condição de veterano. Ou seja, uma equipa para apoiar-se para continuar a ganhar. E também não podemos subestimar a decisão do Barcelona respetivamente a [Luis] Suárez. Se não tem o respaldo futebolístico e ainda lhe tiram o respaldo afetivo, pois fica com muito pouco francamente.”

Estará o Barça, com as saídas de Messi, Suárez, Vidal e Rakitic, em risco de se transformar numa equipa vulgar? “O tema é económico”, prossegue Valdano. “Há que reconstruir, há que comprar e para isso há que ter dinheiro. Neste caso vai pesar também o conflito para saber em que condições sairá Leo. Mas, sim, muitos dos jogadores de que vão prescindir não vão deixar muito dinheiro na caixa e o mercado não oferece tanto que te ajude a renovar a ilusão, depois de perder um símbolo, aquele que foi o melhor marcador e assistente da liga. Os 34 anos de Messi não o converteram num jogador qualquer, mas o que aconteceu foi Messi, um grande jogador, a jogar numa equipa qualquer. É uma história distinta.”

Futebol Clube Sem Messi

Vários meios de comunicação espanhóis deram conta, esta terça-feira, que o craque argentino, com toda uma carreira feita no Barcelona, enviou um fax a informar o clube que pretende sair e vai acionar uma cláusula no contrato que lhe permite decidir, unilateralmente, ir embora ao final de cada temporada. O Barcelona já o confirmou, à "Associated Press". Virá aí uma cirurgia profunda, custosa e dolorosa para separar duas partes que não há muito pareciam ser siamesas