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Adiado o regresso do público aos eventos desportivos em Inglaterra. Associação de Adeptos queixa-se: "O governo tem de nos ouvir"

O governo britânico anunciara que, a partir de 1 de outubro, o público poderia, faseadamente, regressar a todos os eventos desportivos, mas, esta terça-feira, o ministro dos Assuntos Governamentais disse que o plano já não será posto em prática, pelo menos por agora, devido ao aumento do número de casos de covid-19 em Inglaterra. Em agosto e setembro, vários eventos-piloto já foram autorizados a contar com público

Diogo Pombo

O Middlesborough-Bournemouth, do Championship, foi um dos jogos, já este mês, a ser autorizado a ter até 1.000 pessoas na bancada, como teste

Alex Pantling/Getty

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Suposto era que a anormalidade começasse a ser disfarçada por uma normalidade possível, vestida com uma melhor máscara por há tanto tempo não haver rasto de os normais adeptos nas bancadas a baterem palmas, berrarem, apuparem e cantarem, como só os britânicos parecem saber: pensou-se e planeou-se que, de 1 de outubro para a frente, o público pudesse retornar, aos poucos, aos recintos desportivos e, no cerne da questão, aos estádios de futebol.

Não seriam, em quaisquer bancadas, mais de 1.000 pessoas por jogo, explica, esta terça-feira, a "BBC", mas era um começo, uma serpentina de papel lançada para o ar, só que a superioridade numérica do coronavírus obrigou a adiar uma ideia. "Estamos a analisar como podemos, de momento. Queremos fazer isto de forma a que, quando as circunstâncias o permitirem, possamos trazer mais pessoas de volta [aos recintos desportivos]", justificou Michael Glove, ministro dos Assuntos Governamentais.

O plano previa que alguns eventos-piloto, a decorrer em agosto e setembro, contassem com um número limitado de pessoas para testar as regras de acesso e distanciamento. No último mês, cerca de 2.500 pessoas sentaram-se no estádio do Brighton durante o amigável contra o Chelsea. A 19 de setembro, 1.000 pessoas assistiram ao Norwich-Preston, do Championship, segunda divisão inglesa. Umas 300 estiveram presentes na final do Mundiais de Snooker, entre quatro paredes e um teto. A realizar-se esta quarta-feira, o meeting de St. Leger de hipismo tem mais de 2.500 bilhetes vendidos.

Mas um retorno transversal a todas as modalidades, seja em recinto aberto ou fechado, foi mesmo adiado. "Não quer dizer que estejamos a abdicar do plano, vamos só revê-lo. Temos que olhar para os eventos desportivos com cautela, reconhecendo que o desporto é uma parte vital desta nação", acrescentou o ministro. Esta quarta-feira, a Associação de Adeptos de Inglaterra urgiu o governo a "ouvir as pessoas e os clubes", alertando que as receitas de bilheteira "são urgentemente necessárias para manter os clubes em funcionamento".

No início de setembro, também à "BBC", o ministro da Cultura reconheceu que "os adeptos estão ansiosos para regressar" e "há postos de trabalho que dependem disso também". Oliver Dowden fixou a "ambição" em "fazer o público regressar com a normalidade possível" aos eventos desportivos "perto do Natal, caso seja seguro".

Em Portugal, o Governo ainda não apresentou quaisquer planos para o retorno do público aos eventos desportivos. Para já, apenas o Governo Regional da Madeira autorizou que os recintos possam ter até 10% da sua capacidade preenchida.