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Tassotti e a cotovelada a Luis Enrique no EUA-94: "O tempo passa. Já sou avô e ele já envelheceu. Equivoquei-me e o destino fez-me pagar"

O relógio já cantava 93 minutos e os italianos, depois de um golo tardio de Roberto Baggio, estavam na frente. A bola chega ao lado direito do ataque de Espanha e Goikoetxea recebeu e cruzou largo, para o segundo poste. Luis Enrique e Tassotti lutaram pelo espaço como quem luta pela história de um país inteiro e o resto já todos sabemos...

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Henri Szwarc

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É uma daquelas imagens míticas. Tem pouco a ver com o jogo, mas tudo a ver com futebol: rivalidade, golo ou a negação suja do golo, sonho e desespero. No dia 9 de julho de 1994, no estádio Foxboro, Itália e Espanha discutiam o acesso às meias-finais do Campeonato do Mundo. Arrigo Sacchi contra Javier Clemente. Pagliuca, Costacurta, Albertini e Baggio contra Zubizarreta, Nadal, Bakero e Caminero.

O relógio já cantava 93 minutos e os italianos, depois de um golo tardio de Roberto Baggio, estavam na frente. A bola chega ao lado direito do ataque de Espanha e Goikoetxea recebeu e cruzou largo, para o segundo poste. Luis Enrique e Tassotti lutaram pelo espaço como quem luta pela história de um país inteiro e o espanhol acabou no chão. O sangue começou a jorrar do nariz, sujando a bonita camisola branca. O ainda jogador do Real Madrid estava fora de si, queria a expulsão do defesa italiano que levava a camisola 9. Tassotti, que trocou umas palavras com um ou outro colega de profissão, parecia sentir algum peso na alma.

Em entrevista ao “El País”, Mauro Tassotti falou sobre o episódio e revelou que está tudo sanado e que já se cumprimentaram noutras ocasiões. “O tempo passa. Já sou avô e ele é mais jovem mas também já envelheceu desde 1994. Éramos muitos jovens, os dois. Já passou muito”, disse àquele diário espanhol.

E, explicando o momento e lamentando-se, continuou: “Estávamos a disputar uma bola. Estiquei o braço porque me senti agarrado. Equivoquei-me e arrependi-me. Nunca o neguei. Nunca escondi a minha responsabilidade. Lamento, e peço desculpa outra vez. Compreendo também que ele, no princípio, não quisesse aceitar as minhas desculpas”.

Tassotti diz agora que ele episódio “foi um desastre”, pois seria sancionado com oito jogos, perdendo assim a oportunidade de jogar as meias-finais e a final, a tal contra o Brasil que Baggio chutaria um penálti para as nuvens.

“Equivoquei-me e o destino fez-me pagar. (...) Sempre disse que foi um gesto instintivo que lhe acertou no nariz, mas não era a minha intenção parti-lo. Não foi premeditado. Não tinha nada contra ele. No futebol dás uns golpes e neste caso o problema foi que lhe parti o nariz. Se não o tivesse partido não teria acontecido nada”, garante, o agora adjunto de Shevchenko na seleção ucraniano, que jogará contra a Espanha de Luis Enrique na terça-feira.

Naquele 9 de julho, em Boston, Tassotti, de 34 anos, fez o último jogo pela seleção.