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Piqué larga Messi. O Barcelona partiu-se ao meio

Depois da goleada ao Ferencvarós, o clube catalão anunciou a renovação de contrato de Gerard, um dos quatro capitães de equipa que antes tinha dito rejeitar a redução salarial proposta pelo presidente. Agora, o central, que prometera aos colegas que ia lutar contra a redução salarial, acompanhou De Jong, Ter Stegen, Lenglet, que também assinaram novo acordo

Pedro Candeias

David Ramos

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O Barcelona derrotou o Ferencvaros por 5-1 com golos de jogadores com pesos e histórias diferentes no clube: Lionel Messi, Ansu Fati, Phillipe Coutinho, Pedri e Dembelé; o mito, o menino prodígio, o regressado, o reforço de cinco milhões em tempo de covid e o enfant térrible.

O triunfo robusto no regresso à Liga dos Campeões exorcizou a humilhação sofrida com o Bayern em Lisboa e deixou o treinador Ronaldo Koeman moderadamente satisfeito, pedindo tempo para as coisas melhorarem. “Neste momento, não é possível pedir mais, estamos a evoluir”, disse o holandês.

Mas, por outro lado, a vitória e as exibições de Trincão e depois de Dembelé legitimaram a decisão de Koeman em deixar Antoine Griezmann de fora – aparentemente, o francês não quer ser o extremo-direito do Barça. “Não significa nada, porque para cada adversário escolhemos a melhor equipa. Hoje optámos por Trincão e depois em Ousmane para ter mais velocidade e profundidade”.

Griezmann foi contratado por 120 milhões em 2019, mas o que fez no Atlético de Madrid raramente conseguiu fazer em Barcelona. Recentemente, o avançado criticou implicitamente Koeman ao explicar que jogava melhor pela França do que pelo Barça, porque Didier Deschamps lhe dava o centro; mas a luta de Griezmann é solitária, não como as de Suárez ou de Dani Alves, que tiveram sempre Messi do lado deles para dar uma palavrinha junto da direção – e assim pressionar a direção.

Acontece que Messi, que garantiu só ter ficado por não ter vontade de entrar numa demorada batalha legal com o Barcelona, está agora com Koeman, ou pelo menos, com a equipa até final da época. Griezmann era, até terça-feira à noite, o único empecilho para o holandês resolver.

Só que, a seguir, o Barça fez isto:

Inesperadamente, a direção do atormentado e polémico Josep Maria Bartomeu anunciou a renovação de contratos com quatro jogadores: Frenkie De Jong (até 2026), Clément Lenglet (2026), Marc Ter Stegen (2025) e Gerard Piqué (2024). O Barcelona esclareceu que os salários deste quarteto tinham sido revistos e “adequados temporalmente” à crise provocada pela covid-19.

Ou seja, De Jong, Lenglet, Ter Stegen e Piquè acordaram reduzir parte dos seus ordenados, que ficam congelados nos primeiros anos e a seguir são repostos na sua totalidade. É o que diz o jornal “A Marca” .

Ora, destas quatro decisões, a mais surpreendente é a de Piquè, um dos capitães da equipa – os outros são Messi, Busquets e Sergi Roberto – que, juntamente com o plantel, tinham produzido um burofax a rejeitar redução salarial nos modelos sugeridos por Bartomeu; o plantel desconfiava das intenções do presidente que já fora acusado de espiar os futebolistas.

Depois disto, é natural que o balneário se parta entre os que concordaram com Bartomeu e os que resistiram a Bartomeu, que tem do seu lado um argumento moral para jogar: é que esta quarta-feira, a direção reúne-se com todos os trabalhadores para acertar reduções salariais.

Assim, Bartomeu, que escapou a uma moção e enfrenta um eventual referendo entre os associados, ganha tempo e denuncia Messi e companhia, cujas posições irredutíveis podem deixá-los expostos às críticas da opinião pública e dos adeptos por não aceitarem ganhar menos.

O Barcelona está novamente partido.