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Hilmar foi internacional pelas Ilhas Faroé no andebol e agora, no mesmo ano, em futebol: “É surreal. Não sei no que hei de acreditar”

Hilmar Leon Jakobsen jogou os 90 minutos da derrota das Ilhas Faroé com a Lituânia, na quarta-feira, meses depois de marcar três golos pela seleção de andebol do país nórdico. O médio com os pés esteve sete anos sem jogar futebol até julho, quando trocou de modalidade no HB Tórshavn, o campeão das Ilhas Faroé que já representava com as mãos. Esta época, até já leva 12 golos marcados na primeira divisão

Diogo Pombo

Federação de Futebol das Ilhas Faroé

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Era o oceano solidificar-se e ficariam paredes meias entre a Noruega e a Islândia, um arquipélago gelado e salgado no Atlântico Norte que é agreste para as pessoas, pouco mais de 52 mil lá vivem, colheita parca para o desporto que nas Ilhas Faroé também padece da condição mais comum no mundo: as gentes olham mais para o futebol, querem-no bem e querem-se nele, como Hilmar Leon Jakobsen se queria.

Em criança fixou-se nas bolas que se pontapeiam em criança e no ser futebolista um dia, começou a jogar na terra do gelo até um diagnóstico travar sonho. Tinha 13 anos quando a medicina lhe descobriu uma displasia da anca, fê-lo embarcar num avião, aterrar na Dinamarca e ser operado ao problema que forçou uma decisão.

Uns anos volvidos, para o bem da sua saúde, largou o futebol, mais penoso no pedaço da anatomia em questão, para se dedicar ao andebol; dos pés a bola passou para as mãos e o desporto que havia em Hilmar centrou-se nos pavilhões. “Queria jogar futebol, mas foquei-me no andebol porque tinha de ser”, confirmou-o, há dias, ao relatar a sua história à “TV2” da Noruega que o quis historiar.

Jakobsen foi-se dedicando ao andebol, a sua posição é ponta esquerdo e farta-se de saltar para dentro da área, as pernas trampolins para prolongar o tempo médio no ar e ganhar centésimos de segundo para arremessar a bola contra a baliza. Bom se tornou a jogar com as mãos no Tórshavn, o mesmo clube onde jogara futebol, a vida seguiu e em janeiro estava a marcar três golos ao Luxemburgo pela seleção das Ilhas Faroé.

Adulto nos seus 23 anos, Jakobsen é internacional de andebol e, esta época, fez cinco golos pelo HB Tórshavn na Challenge Cup, a terceira divisão das competições europeias de clubes. Mas, em setembro, voltou a trocar as voltas aos membros do corpo e assinou outro contrato com o clube - para jogar futebol.

Ele “divertiu-se no andebol”, só que o sonho está sempre sentado algures nos bastidores, à espera de conduzir a orquestra e quando se levantou recordou-o que “sempre [sonhou] em jogar futebol”. Começou na terceira equipa Tórshavn, saltou para as reservas e, em junho, pediram-lhe que integrasse a principal. “Tinha de aproveitar a oportunidade” e o destro de mão, mas canhoto de pé, disse que sim.

Integrou a equipa que foi campeã nacional das Ilhas Faroé na temporada passada para, nesta, ter 12 golos marcados nos 18 jogos que fez para os ajudar a revalidar o título. Chegou esta fornada de partidas amigáveis, outras a contar para a Liga das Nações, veio mais uma convocatória da seleção e surgiu um problema com Jóan Símun Edmundsson, jogador que o Arminia Bielefeld, da Bundesliga, não libertou porque depois teria que se submeter a uma quarentena no regresso e a FIFA, há tempos, permitiu aos clubes bloquearem idas à seleção caso tal implicasse, depois, isolamentos superiores a cinco dias.

A desgraça dele foi a bonança de Hilmar Leon Jakobsen, que foi convocado para a seleção e logo posto a titular, esta quarta-feira, na partida contra a Lituânia que as Ilhas Faroé perderam (2-1) e onde ele ganhou 90 minutos em campo. "Aconteceu tudo tão depressa. Há quatro meses jogava andebol e agora vou jogar pela seleção nacional de futebol. É surreal, nem sei o que dizer. Isto é muito grande tendo em conta que não joguei futebol, de todo, durante sete anos", admitiu, ainda antes de se estrear pelas Ilhas Faroé.

E assim se resume a história de quem foi internacional pelo país em duas modalidades, no mesmo ano.